O espetáculo Apus Apus traz à cena os esforços que desenvolvem a resiliência especificamente feminina contida na ideia que estrutura uma das principais máximas do movimento feminista: “Não se nasce mulher, torna-se mulher” (Simone de Beauvoir). O título alude à ave Apus Apus, uma espécie de andorinha que passa até 10 meses consecutivos por ano sem pousar, alimentando- se de insetos que encontra no ar sem ter que parar para comer, pousando apenas por dois meses no ano durante a temporada de reprodução. A ave serve de referência metafórica para os esforços femininos numa cultura onde as cobranças sociais ainda se impõem sobremaneira muito mais sobre a mulher.
No centro da concepção do espetáculo está o conceito de dream gap(literalmente “lacuna nos sonhos”), um fenômeno onde, desde a infância, as meninas, em função de construtos sociais, acabam por revelar uma disparidade em suas aspirações e crenças sobre o futuro em comparação com meninos, sendo levadas a não atingirem seu real potencial. A direção cênica é assinada por Desirée Pessoa (Doutora em Artes Cênicas pela UNIRIO), criadora e diretora do grupo de teatro e performance NEELIC (Núcleo de Experimentação e Expansão da Linguagem Cênica), que completou 22 anos de trajetória em 2025.
FICHA TÉCNICA:
Autor: Grupo NEELIC
Direção: Desirée Pessoa
Elenco: Desirée Pessoa, Gabriela Semensato, Lara Mohana e Vanda Bress
