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48 anos de Arte Pública com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

28 March a 02 de abril de 2026

Gratuito

Organizado por Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

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Atualizado em 18/03/2026

Sobre o evento


Mostra de Repertório comemora os 48 anos de arte pública do Ói Nóis Aqui Traveiz, entre 28 de março e 2 de abril

De 28 de março a 2 de abril a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz apresenta uma mostra de seus espetáculos de repertório, celebrando com a cidade sua trajetória de 48 anos. A comemoração começa dia 28 com o espetáculo M.E.D.E.I.A. Dia 29 apresenta a performance Onde? Ação Nº. 2, no campus central da UFRGS, e dia 30 a palestra-performance Dopinho: um lugar de memórias sensíveis. No dia 31 de março, data que marca a estreia do seu primeiro espetáculo em 1978, entra em cena a performanceManifesto de Uma Mulher de Teatro e, encerrando a programação, apresenta dia 2 o seminário A Preservação da Memória do Teatro. Todas as atividades contam com intérprete de libras e tem entrada franca.

O Ói Nóis Aqui Traveiz começou a ser idealizado no final de 1977 em um contexto marcado pela ditadura civil-militar brasileira, que desde 1964 instaurava um regime autoritário caracterizado pela repressão política, censura e violência sistemática contra qualquer oposição. Reunindo estudantes de teatro e jovens artistas politicamente engajados, o grupo nasceu da urgência de responder a esse cenário opressor. O Brasil vivia sob uma atmosfera sufocante de medo e intolerância, que permeava não apenas o cotidiano das pessoas, mas também as instituições culturais e artísticas. Em meio a isso, o teatro emergiu como uma das principais frentes de resistência, constituindo-se num espaço vital de denúncia, questionamento e afirmação da vida e da dignidade humana.

É neste cenário de brutalidade e resistência que o Ói Nóis Aqui Traveiz consolida sua identidade. Desde o início, o grupo se propôs a romper com o teatro convencional, adotando uma postura radicalmente contestadora e engajada. Inspirado pelos movimentos libertários e contraculturais, passou a desenvolver, a partir de 1980, um trabalho profundamente conectado aos movimentos populares e sindicais, buscando articular uma arte que fosse simultaneamente política e estética, um instrumento de reflexão crítica e de transformação social. O impacto do Ói Nóis Aqui Traveiz na cultura brasileira foi profundo e duradouro. O grupo expandiu os limites da experimentação teatral, desafiando formatos e linguagens tradicionais, e elaborou uma estética própria que integra corpo, voz e espaço cênico de maneira inovadora. Entre as dezenas de premiações que recebeu, se destacam a Ordem do Mérito Cultural em 2015, Prêmio Milu Villela – Itaú Cultural em 2022, e Prêmio Schell em 2025.

Programação

Em M.E.D.E.I.A, solo da atuadora Tânia Farias, estreado em 2022, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz retoma a personagem protagonista do seu espetáculo “Medeia Vozes”. A encenação traz para cena uma versão antiga e pouco conhecida do mito, protagonizada por uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. Revisita o mito de Medeia como mulher lúcida, perseguida e transformada em bode expiatório por sua sociedade. Medeia enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento.

     A performance Onde? Ação Nº. 2 convoca, de maneira poética e visceral, a revisitar nosso passado recente, tocando nas feridas ainda abertas pela ditadura. Na ação, a imagem de mulheres com cadeiras vazias evoca a ausência daqueles que foram arrancados do convívio social e familiar pelos militares. O desfecho, em que durante alguns minutos as atuadoras pronunciam os nomes dos desaparecidos políticos do Brasil, transforma a cena em um ato ritual de lembrança e denúncia, em que a palavra recupera presenças apagadas pela violência do Estado.

A palestra-performance DOPINHO: um lugar de memórias sensíveis surgiu da necessidade de falar sobre esse lugar pouco conhecido na cidade de Porto Alegre, cuja memória segue em disputa. O casarão na Rua Santo Antônio, 600, abrigou nada menos que o primeiro centro clandestino de detenção e tortura do Cone Sul, no início da ditadura civil militar brasileira. Fora da estrutura oficial do aparato militar, a alcunha Dopinho consiste no diminutivo de DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Só se tornou conhecido depois que o corpo do sargento Manoel Raymundo Soares, com as mãos atadas e nítidos sinais de tortura, foi encontrado por pescadores no Rio Jacuí em agosto de 1966. A palestra-performance de Marta Haas surge em contraposição à tentativa de apagamento e banalização dessa memória.

No Manifesto de Uma Mulher de Teatro, Tânia Farias dança a relação com sua amiga, interagindo com sua imagem projetada em vídeo na parede para manter viva a memória da mulher vitimada por um crime de ódio contra o seu corpo. Em cena, questiona com a voz e o canto uma sociedade edificada na misoginia. A performance traz ao centro da arena a vociferação contra a engrenagem de violências às quais mulheres são continuamente submetidas. Vozes como a de Violeta Parra, Gioconda Belli e da própria atriz, que ousa contar detalhadamente sua história pessoal de violência sofrida e intercruzar com outra real, a de Magó, bailarina barbaramente violentada e assassinada em 2020, ao qual a atriz presta homenagem. Um ato político contra a violência de gênero, uma nova etapa de construção da reflexão dessa mulher de teatro num momento tão trágico, de autorização de todo tipo de barbárie contra mulheres, negros, lgbtqia+ e tudo o que o conservadorismo dessa elite atrasada considera uma ameaça ao seu projeto de morte, de não corpo e de não felicidade.

O seminário A Preservação da Memória do Teatro, com a presença do professor doutor Clóvis Massa (UFRGS), a museóloga Bárbara Hoch e a atuadora Tânia Farias, vai discutir a necessidade da criação de uma política pública para preservar a memória desta arte efêmera que é o teatro.

Foto Medeia: Tássio Tavares

48 anos de Arte Pública com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

28 de março, às 20h – MEDEIA – Terreira da Tribo

29 de março, às 14h – Onde? Ação Nº. 2 – Campus central da UFRGS, próximo da Reitoria

30 de março, às 20h – Dopinho: um lugar de memórias sensíveis – Terreira da Tribo

31 de março, às 20h – Manifesto de Uma Mulher de Teatro – Terreira da Tribo

1º de abril, às 17h – Onde? Ação Nº. 2 na Esquina Democrática

2 de abril, às 20h – A Preservação da Memória do Teatro, seminário na Terreira da Tribo

Entrada franca

Todas as atividades contam com intérprete de libras

Terreira da Tribo – Av Pátria, 98. Bairro São Geraldo

Redes da Tribo:

https://www.oinoisaquitraveiz.com.br

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