Nitcho e Luiz Barata apresentam Eterno Menino Levado. Pela primeira vez em Porto Alegre a apresentação reúne infância e amadurecimento no dia 29 de agosto, sábado, às 21h, no Hum Espaço Multiuso (R. da Conceição, 15 – Centro Histórico). A proposta é, através da experimentação e do prazer de fazer música, juntar o hip hop à instrumentalização, unindo as rimas e beats às cordas do violino de Gustavo Neves.
O álbum se constrói pela persistência de enxergar a vida com olhos alegres e inquietos. A figura da criança levada aparece como símbolo de resistência. Aquela que faz pirraça diante de qualquer imposição de autoridade, que questiona regras sem perder o riso e transforma o ato de existir em jogo.
Aqui, crescer não significa abandonar a brincadeira, mas protegê-la. A fusão de estilos surge de forma orgânica, refletindo a liberdade criativa de uma infância sem manual de conduta. Cada faixa carrega a sensação de movimento, de descoberta, de quem não aceita limites rígidos e prefere inventar caminhos próprios.
Há também confronto. O trabalho traduz a natureza implicante e transgressora de uma criança pressionada por sistemas que tentam enquadrá-la. Bater o pé, discordar, insistir, rir por último. O gesto infantil se transforma em linguagem política, questionando a indústria, as expectativas e as narrativas prontas sobre sucesso e amadurecimento.
“Eterno Menino Levado” é, acima de tudo, um convite. Lembrar que amadurecer não precisa significar endurecer. Que brincar ainda pode ser um ato radical. E que, às vezes, a forma mais honesta de atravessar o mundo é seguir fazendo pirraça.