Hipólito – tudo vai desmoronar com o peso da chuva realiza apresentações dias 29, 30 e 31 de maio no Teatro Oficina Olga Reverbel e dia 3 de junho no CHC Santa Casa
A montagem, dirigida por Carla Cassapo, com texto de Raquel Zepka, terá acessibilidade e bate-papo após as apresentações no Teatro Olga Reverbel, além de uma oficina no CHC Santa Casa
Uma das peças mais impactantes na cena teatral gaúcha nos últimos tempos volta a cartaz em apresentações no Teatro Oficina Olga Reverbel e no Teatro do CHC Santa Casa. Hipólito – tudo vai desmoronar com o peso da chuva, uma direção de Carla Cassapo a partir da dramaturgia de Raquel Zepka, tem um elenco consagrado, com as atrizes Carol Martins, Hênrica, Juçara Gaspar, Maya Marqz, Negra Jaque, Raquel Zepka e Silvia Duarte, e terá audiodescrição e intérprete de LIBRAS (ver serviço abaixo), bate-papo e oficina. O financiamento é do Fumproarte para essa temporada.
Desenvolvido pela autora a partir de sua pesquisa de mestrado em artes cênicas (UFRGS), Hipólito traz um tema tão necessário quanto atual neste início de ano com índices alarmantes de feminicídio e violência contra as mulheres. A dramaturgia surgiu da investigação da criação teatral a partir de documentos reais sobre feminicídio, em ampla pesquisa, incluindo entrevistas com sobreviventes, familiares e profissionais da área, além da análise de reportagens e arquivos documentais. O feminicídio permeia a dramaturgia, que é marcada pelos testemunhos dessas mulheres e pelas vozes das atrizes que participam do processo de montagem.
Na noite mais esperada das últimas décadas em Hipólito, a noite da lua vermelha, os cidadãos de bem se organizam para avistar esse belo fenômeno. Enquanto isso, nos limites da cidade, duas mulheres se tornam cúmplices em uma fuga para qualquer lugar distante de suas casas. Durante essa jornada, encontram surpresas na mata escura, na linha que divide Hipólito do resto do mundo. Escondidas e isoladas sob o comando de Crespo, aparecem outras mulheres – aquelas dadas como mortas. Enquanto isso, uma locutora de humor sarcástico anuncia as notícias da cidade pelo rádio, ao som de trilhas românticas, enquanto se comunica com as que estão prontas para o ataque final. O que se sabe é que Hipólito é a única cidade que existe. Fora dela, não se sabe o que há. E dizem que, se uma mulher sair de Hipólito, ela desaparecerá.
A peça se constrói como uma alegoria dessa violência de gênero, utilizando símbolos e uma linguagem poética para propor um olhar sobre essa realidade social. Nesse texto e montagem, as mulheres não têm nome, como forma de simbolizar o lugar comum que a violência de gênero nos obriga a ocupar. Ainda assim, cada personagem tem uma voz e um corpo potente, cuja força se amplifica no encontro umas com as outras. “Essa peça acontece depois das fronteiras que você conhece. Na saída da sua cidade, ou no limite entre um estado e outro, um país e outro, no espaço entre um lugar familiar e outro totalmente desconhecido” afirma Raquel Zepka. Os locais onde as ações dramáticas ocorrem são escuros: uma estrada no final de tarde com postes velhos que oscilam suas luzes amareladas, a mata fechada durante a noite, um galpão com arsenal de bombas de todos os tipos, a saída de Hipólito e o que existe depois dela. Aqui, a única voz masculina é a que surge em off, da rádio patrulha, ao final da trama. “Hipólito acontece ‘entre’ tudo que já ouvimos sobre mulheres que somem no mundo e o que ignoramos ver e ouvir para suportar viver. Quero também te dizer, que nessa peça, tem uma lua, uma LUA muito vermelha e luminosa”, complementa a autora.
Foto Adriana Marchiori
Sinopse:
Na noite da Lua Vermelha, duas mulheres fogem da cidade de Hipólito, enquanto as que vivem fora das fronteiras se preparam para o ataque final. O título do espetáculo é uma homenagem a Thaís Hipólito, sobrevivente de tentativa de feminicídio e cujo caso teve repercussão nacional. O texto dramático, de autoria de Raquel Zepka, foi gerado a partir do seu mestrado em Artes Cênicas pela UFRGS quando realizou ampla pesquisa sobre este crime hediondo; entrevistas com sobreviventes, familiares, profissionais da área e reportagens de mídia impressa e digital. O espetáculo é uma alegoria à violência de gênero, pois é através dos símbolos e de uma linguagem poética que se olha por um outro ângulo para esse crime hediondo que diz respeito ao comportamento de toda a sociedade.
Ficha técnica:
Direção: Carla Cassapo
Dramaturgia: Raquel Zepka
Concepção cênica: Carla Cassapo e Raquel Zepka
Com: Carol Martins, Hênrica, Juçara Gaspar, Maya Marqz, Negra Jaque, Raquel Zepka e Silvia Duarte
Orientação corporal: Daniella Visco
Preparação trapézio e técnico responsável: Guilherme Gonçalves
Trilha sonora original: Gabriela Lery
Figurinos: Mari Falcão
Cenografia: Yara Balboni
Iluminação e operação de luz: Nara Maia
Operação de som: Anne Plein e Negra Jaque
Locuções em off: Fábio Rangel
Fotografias: Adriana Marchiori
Assessoria de imprensa: Bebê Baumgarten
Redes sociais: Paloma Sanchez
Artes gráficas: André Varela
Direção de produção: Rafaela Zwierzynski
Assistência de produção: Carla Cassapo
Produção executiva: Raquel Zepka
Audiodescrição: OVNI Acessibilidade Universal
Libras: Ângela Russo (Para Todos Acessibilidade)
HIPÓLITO – tudo vai desmoronar com o peso da chuva
No Teatro Oficina Olga Reverbel / Ingressos gratuitos retirados 1h antes na bilheteria
29 de maio, às 16h e 19h (sessão das 19h com audiodescrição)
30 e 31 de maio, às 19h (a sessão do dia 30 terá intérprete de LIBRAS)
Teatro Oficina Olga Reverbel / Multipalco Eva Sopher – Rua Riachuelo 1089
Bate-papo após o espetáculo:
*29 de maio, na sessão das 19h: audiodescrição + bate-papo com a cineasta Mirela Kruel e as integrantes do Observatório de Feminicídios Lupa Feminista, Thaís Siqueira e Ana Saugo
*30 de maio, na sessão das 19h: intérprete de LIBRAS + bate-papo com a Promotora Legal Popular Gislaine Lopes de Moraes, formada pela Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos
No CHC Santa Casa/ Ingressos gratuitos retirados na Plataforma Sympla CHC:
Dia 3 de junho, sessão dupla, às 15h e às 20h
CHC Santa Casa – Av. Independência, 75
Este projeto foi contemplado pelo Edital 05/2025 – Produções Artísticas. Financiamento FUMPROARTE – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa – Prefeitura de Porto Alegre.
Apoio: Complexo Cultural Multipalco Eva Sopher, Centro Histórico-Cultural Santa Casa de Porto Alegre, Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, DAD – Departamento de Artes Dramáticas UFRGS e Afro Laboratório.
Redes do espetáculo: