O Tempo – seus compassos, pausas, círculos e silêncios – são a inspiração para Honk!POA, que chega à 7ª edição
Festival de fanfarras ativistas acontece de 30 de abril a 3 de maio em Porto Alegre, e está com financiamento coletivo aberto até 19 de abril: https://apoia.se/honkpoa2026
Porto Alegre recebe entre os dias 30 de abril e 3 de maio a 7ª edição do Honk!POA – Festival de Fanfarras Ativistas, que reúne mais de trezentos músicos de diversas regiões do Brasil e também do Uruguai para ocupar as ruas com música, arte e engajamento social. O evento, já tradicional na capital gaúcha, se consolida como espaço de resistência cultural e celebra em 2026 aquele que rege nossas vidas, o Tempo.
Os compassos, pausas e silêncios. O tempo do respiro e do mergulho, o tempo que segue em frente em linha reta ou que insiste em ser circular, dando ao mundo a cara de uma grande ciranda. É desse tempo quer Honk!POA quer falar. O que é necessário para que possamos construir um futuro? Diante da necessidade de frear o modelo socioeconômico que vêm esgotando os recursos planetários, nos defrontamos com o impasse: a fricção entre o desejo de mudança para se ter mais tempo para si, e a falta de tempo para fazer a mudança. Esse conceito propõe a forja como símbolo do processo de aquecimento, do caminho do fogo que, tanto pode ser fonte e tecnologia, como também destruição. Como entender os diferentes tempos e suas indispensáveis pausas para criar novas ferramentas? Não há vida ou música sem pausas.
Na ideia tosca que rege a reprodução da vida capitalista de que tempo é dinheiro, viramos sujeitos passivos, aceitando a forma que ditam de como nós, individualmente, devemos usar o tempo. Nessa lógica, o tempo que não é aproveitado de maneira eficiente financeiramente, é um tempo perdido. O tempo para a diversão, a arte, o ócio e mesmo a preguiça, passam a ser sentidos como culpa, expropriando a consciência e a legitimação sobre o “tempo livre”, como se fôssemos ladrões de tempo. E se a gente decidisse desenhar mais compassos com contratempos musicais?
Com essas perguntas e reflexões, o Honk!POA propõe uma edição sensível e colorida, dando ao tempo uma leveza que ele insiste em não ter por esses dias. Fanfarras de todas as partes do Brasil, e a La Ventolera, do Uruguai, se fazem presente nesta edição especial: EBBE Brass (SP), Bate Sopra (RS), Dedão de Serra (MG), Marimbondo não Respeita (RJ), Skabloco (RJ), Obscênicas (SP), Desorkestra Montanhosa (RS), Gilbloco Gil (SC), SerraSom Brass (RS), Bocas Malditas e Trupe Guará (PR), Black Bones Brass Band (MG), Bloco do Beijo (RS), entre muitas outras, estarão se apresentando no centro da cidade e também em comunidades e periferias nesta 7ª edição.
Inspirado no movimento internacional que começou nos Estados Unidos em 2006, o Honk! chegou ao Brasil em 2015 e se caracteriza pela autonomia, horizontalidade e apoio mútuo entre artistas e territórios. A edição de Porto Alegre é realizada de forma independente, e conta com o apoio da sociedade civil para custear despesas com infraestrutura, logística, acolhimento dos grupos e divulgação. Para isso, estão sendo promovidas ações de arrecadação, como campanhas de financiamento coletivo e venda de produtos. Para que a edição se concretize, o evento está com um financiamento coletivo aberto até o dia 19 de abril na plataforma Apoia-se: https://apoia.se/honkpoa2026.
Mais informações, programação completa e formas de apoio estão disponíveis no Instagram oficial: @honkpoa, que logo terá os percursos e locais confirmados do festival.
HONK!POA 7ª edição
De 30 de abril a 3 de maio em Porto Alegre
Oficinas, apresentações e cortejos
Entrada franca
Em breve no Instagram do HonkPoa os locais confirmados:
https://www.instagram.com/honkpoa
Financiamento coletivo aberto: https://apoia.se/honkpoa2026.
Foto Ju Araujo