Exposição de Mauro Espíndola investiga arte, ciência e natureza no Centro Cultural da UFRGS a partir de 24 de março, com entrada franca
PANAPANÃ – Papilionis Transectum, projeto selecionado pelo Edital do Centro Cultural da UFRGS e contemplado pelo Concurso de Produção Artística do FUMPROARTE – Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre incorpora percepções inspiradas nos gabinetes de curiosidades dos séculos XVI e XVIII
A partir de 24 de março, entre classificações imaginárias e vestígios do mundo natural, a exposição PANAPANÃ – Papilionis Transectum, do artista visual Mauro Espíndola, sugere uma metamorfose no Centro Cultural da UFRGS transformando-o em um território de atravessamentos entre arte, ciência e natureza. Com curadoria de Marilice Corona, a mostra abre ao público com programação especial, a partir das 18h, reunindo gravuras experimentais, livros de artista, objetos e trabalhos in situ que operam como dispositivos de investigação poética sobre o tempo, a memória e a transitoriedade.
Desenvolvido a partir das pesquisas do artista no Moinho da Capivara, seu estúdio localizado na zona rural de Lindolfo Collor (RS), o projeto apresenta obras construídas com materiais coletados no lugar — entre eles, partes de vegetais em deterioração como galhos queimados, troncos necrosados e borboletas encontradas sem vida — reorganizados em composições que evocam sistemas de catalogação científica, ao mesmo tempo em que propõem reflexões sobre a impermanência.
A exposição respira e posiciona-se na atmosfera dos gabinetes de curiosidades, espaços surgidos entre os séculos XVI e XVIII que reuniam artefatos naturais, científicos e culturais como tentativa de apreender e ordenar o mundo. Em PANAPANÃ, essa tradição é apropriada sob uma perspectiva contemporânea, onde classificações e nomenclaturas tornam-se ferramentas poéticas. O projeto é conduzido também por meio dos heterônimos do artista — Emanoel Leichter e Francysca Omolara —, que expandem a dimensão ficcional e conceitual da pesquisa, borrando fronteiras entre autor, pesquisador e pseudocientistas imaginários.
PANAPANÃ configura-se como um campo de experiências interdisciplinares: a abertura contará com uma performance musical composta especialmente para o projeto pelo Maestro Antônio Carlos Borges-Cunha,com participação do músico Vagner Cunha e da Passaredo – Orquestra de Flauta Doce IFRS-UFRGS, enquanto o encerramento, em 12 de junho, será marcado por uma performance da bailarina contemporânea daggi dornelles, estabelecendo um diálogo entre artes visuais, música e dança.
Encontros abertos ao público e visitas mediadas com recursos de acessibilidade também integram a programação
No dia 28 de abril, como desdobramento da mostra, o projeto realiza o encontro público Conversas Cruzadas, reunindo o artista, a curadora e pesquisadores convidados para discutir as relações entre arte contemporânea, colecionismo e produção de conhecimento. No Auditório Araucária, às 18h30, Espíndola recebe Beatriz Zampieri, Daiana Schröpel e Flávio Gonçalves, com mediação de Marilice Corona, para debater o tema Acúmulos e coleções: contextualizações dos gabinetes de curiosidades nas artes visuais.
Com entrada franca e recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição e interpretação em Libras em atividades específicas, PANAPANÃ reafirma o papel da arte como espaço de investigação sensível e crítica, onde natureza e imaginação coexistem como formas de conhecimento. No dia 21 de maio, às 18h, ocorre um encontro mediado pelo artista que contará com intérprete de Libras.
Todas as atividades contam com entrada franca, abertas à comunidade em geral. O agendamento de visitação de escolas e grupos através do Educativo do Centro Cultural da UFRGS é feito pelo telefone: (51) 3308-1982 ou pelo e-mail educativocentrocultural@ufrgs.br. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.
PANAPANÃ – Papilionis Transectum
Centro Cultural da UFRGS – Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Campus Centro, Porto Alegre – RS.
24 de março
- 18h Abertura da exposição PANAPANÃ – Papilionis Transectum
- PANAPANÃ – Composição e performance Maestro Antônio Borges-Cunha, com participação de Vagner Cunha, violino, e Passaredo – Orquestra de Flauta Doce IFRS -UFRGS
- MOINHO DA CAPIVARA – cozinha experimental com Marga Noronha e Ana Balen
28 de abril
- CONVERSAS CRUZADAS – Auditório Araucária
18h30 Acúmulos e coleções: contextualizações dos gabinetes de curiosidades nas artes visuais. Mauro Espíndola e convidados:
Beatriz Zampieri, Daiana Schröpel e Flávio Gonçalves. Mediação: Marilice Corona
21 de maio de 2016
- 18h Encontro mediado pelo artista Mauro Espíndola
*Com tradução em Libras
12 de junho de 2016
- 18h Encerramento: Entrelaçamento performático com daggi dornelles e imagens de Frank Jeske
- 19h Lançamento do catálogo PANAPANÃ – Papilionis Transectum
BIOS
Mauro Espíndola (Rio de Janeiro, 1962)
Artista e autor do projeto
Artista visual, Doutorando em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS. Contemplado com o XVI Prêmio Açorianos na categoria Destaque Artista e Prêmio de Residência Artística no Ateliê̂ de Gravura da Fundação Iberê Camargo, o artista elabora pesquisas no campo simulado da ciência, com interesse por questões relativas à heteronímia, memória, identidade, natureza e ambivalências entre real e imaginário. Atualmente vive e trabalha no estúdio instalado no Moinho da Capivara, habitação rural ao norte de Porto Alegre/RS, lugar de heteronímias, fabulações e catalogações pseudocientíficas, onde são concebidos projetos ligados à tríade arte-ciência-natureza.
Marilice Corona (Porto Alegre, 1964)
Curadoria
Artista visual, curadora, pesquisadora, Doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS, realizando estágio doutoral em l’Université Paris I – Panthéon Sorbonne – Paris-França (2009). É professora de Pintura do Departamento de Artes Visuais/IA e professora permanente do PPGAV/UFRGS. Desde 2016 coordena o Projeto Studio P Atelier Aberto de Pintura: Pesquisa e Extensão, Prêmio Açorianos de Artes Plásticas 2025 – Destaque Exposição Coletiva, pela mostra “Laboratório Central: pintura e memórias da cidade”, exibida no Paço Municipal. Em 2018 foi agraciada com o XI Prêmio Açorianos de Artes Plásticas – Destaque em Exposição Individual, com a mostra “Entre o Acervo e o Studio” no MARGS. Já em 2008, obteve o Prêmio Açorianos – Destaque em Pintura. Marilice Corona desenvolve, também, o Projeto de Pesquisa “A representação na pintura contemporânea: procedimentos metapicturais e outras estratégias”, estabelecendo diálogo com outras linguagens de modo a refletir sobre a natureza e as funções da imagem nos dias atuais. Como artista, dedica-se à pintura, ao desenho e à fotografia. Desde os anos 90 participa de exposições de âmbito nacional e internacional.
(@marilicecorona) • https://www.instagram.com/marilicecorona/
Camila Leichter (Porto Alegre, 1976)
Assistente de Produção
Artista visual, pesquisadora, Doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS com a pesquisa campo-contra-campo da experiência, que acontece pelo pensar e fazer-com o corpo e o lugar, entrelaçando proposições audiovisuais, performativas e gráficas a processos permeados pela relação entre terra e memória, envolvendo práticas artísticas, rurais, comunitárias e ambientais, de interdependência e de um espaço de cuidado e coexistência.
Moinho Edições
Projeto de identidade visual
Projeto editorial dos artistas visuais e pesquisadores Camila Leichter e Mauro Espíndola, iniciado em 2016 no Moinho da Capivara, envolvendo propostas editoriais como produção de livros, cartazes e postais. Os trabalhos gráficos são realizados a partir de experiências mnemônicas e fenomenológicas com sintonia entre arte, natureza e em coexistência com um conjunto arquitetônico formado pelo moinho d’água de arquitetura enxaimel em ruínas, supostamente construído por volta de 1855, contíguo a uma casa de alvenaria, onde os artistas instalaram seu estúdio. Há dez anos vem participando de feiras gráficas de editores independentes no âmbito nacional e sul-americano.
@moinhoedicoeslimitadas – https://www.instagram.com/moinhoedicoeslimitadas/
Antonio Carlos Borges-Cunha (Bom Jesus, 1952 – Vive e trabalha em Porto Alegre) Performance Musical – abertura da mostra
Renomado compositor e maestro brasileiro, atualmente é professor no Departamento de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e um dos idealizadores do programa de Mestrado e Doutorado em Composição Musical. Sua obra tem sido apresentada em diversos países das Américas e da Europa, além de ter sido tema de várias pesquisas acadêmicas. Ao longo de sua carreira, recebeu prêmios por suas composições, bem como por sua atuação como regente de orquestra e pesquisador. Borges-Cunha obteve o título de Mestre em Música com Honras Acadêmicas e Distinção em Performance pelo New England Conservatory, em Boston, EUA, e é Doutor em Música pela Universidade da Califórnia, San Diego.
https://www.instagram.com/antonioborgescunha
Vagner Cunha (Porto Alegre, 1973)
Performance Musical – abertura da mostra
Músico brasileiro com formação erudita, que se dedica a diversos estilos musicais contemporâneos. Ao longo de sua carreira compôs e criou arranjos para várias orquestras brasileiras, além de produzir músicas para cinema e projetos audiovisuais. Seu processo criativo foi destaque no documentário “Arte, Ordem e Caos” (2008), dirigido por Pedro Zimmermann. Seu primeiro álbum solo, intitulado “Mahavidyas”, foi lançado em 2010, e seu segundo trabalho, intitulado “Além”, foi produzido em 2012 no formato CD-Livro, com participações especiais de artistas como Fábio Zimbres, Cuca Medina, Vitor Ramil, Dudu Sperb e Antonio Carlos Borges-Cunha.
https://www.instagram.com/vagnercunha
daggi dornelles (São Jerônimo, 1956 – Vive e trabalha entre São Leopoldo e Porto Alegre)
Performance dança contemporânea – encerramento da mostra
Bailarina contemporânea, artista do teatro e performance, atuando desde os anos 70. Sua trajetória começou na região da Grande Porto Alegre, onde estudou Educação Física e Artes Cênicas na UFRGS. Nos anos 80, morou em São Paulo, passou pelo Ballet Stagium e pelo Teatro Brasileiro de Dança, iniciando parceria com Sônia Mota que a levou a se mudar para a Alemanha em 1989. Lá, viveu até 2003, envolvida com sua carreira solo e atuando como professora, bailarina, coreógrafa e assistente de direção em diversos países europeus. Após retornar ao Brasil, dedicou-se às performances urbanas, realizando projetos que circularam pelo Brasil e Alemanha até 2022. Entre suas atividades, também foi professora na UFRGS, coordenou a Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul e recebeu o Prêmio Trajetórias Culturais Mestra Sirley Amaro em 2021. Atualmente, trabalha na finalização de um livro que reúne seus encontros com objetos e cidades, além de registros de imagem, projeto que recebeu reconhecimento em 2009.
https://www.instagram.com/daggidornelles
CONVERSAS CRUZADAS COM OS PESQUISADORES CONVIDADOS
Flávio Gonçalves, vive e trabalha em Porto Alegre.
É Professor Titular do Instituto de Artes da UFRGS. Possui doutorado em Artes Visuais pela Universidade de Paris I, Panthéon-Sorbonne (2000), mestrado em Artes Visuais (1994) e graduação em Artes Plásticas (1988), ambos pela UFRGS. Trabalha na área de Artes, com ênfase em desenho, atuando principalmente nos seguintes temas: desenho, pintura, fotografia, semiótica e metodologia da pesquisa em artes.
https://orcid.org/0000-0003-4417-1568
Daiana Schröpel, vive e trabalha em Porto Alegre.
Artista visual e pesquisadora. Doutora em Artes Visuais (2020), com ênfase em Poéticas Visuais, pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV) do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com tese indicada ao Prêmio Capes de Tese 2021. Mestra (PPGAV/UFRGS, 2016) e Bacharela (IA/UFRGS, 2013) em Artes Visuais. Investiga transversalidades entre artes visuais, imaginário científico e ficção, seus veículos e desdobramentos na contemporaneidade com foco em processos de ficcionalização documental e autoral. Desde 2009 realiza exposições individuais e coletivas nas modalidades instalação, desenho, fotografia, objeto, publicação e vídeo.
https://orcid.org/0000-0001-8040-0730
Beatriz Zampieri, vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Bolsista Capes, licenciada em Filosofia pela UFRJ, mestre e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGF/UFRJ). Participa do Laboratório X de Encruzilhadas Filosóficas (UFRJ) e do Laboratório Filosofias do Tempo do Agora (Lafita/CNPq/UFRJ), no qual integra o coletivo de tradução responsável pelas edições de Os sentidos do sujeito (Autêntica Editora, 2021), Desfazendo gênero (Unesp, 2022), Que mundo é este? Uma fenomenologia pandêmica (Autêntica, 2022), Sujeitos do desejo: reflexões hegelianas na França do século XX (Autêntica, 2024) e Despossessão: O performativo na política (Unesp, 2024). Atua na linha de pesquisa de História da Filosofia, investigando as relações entre Teoria Crítica, Filosofia Contemporânea e Gênero.
http://lattes.cnpq.br/5078929143405847
FICHA TÉCNICA
Curadoria – Marilice Corona
Organização e realização – Edital Centro Cultural da UFRGS
Patrocínio – Fumproarte – Prefeitura de Porto Alegre
Produção executiva – Adauany Zimovski
Assistente de produção – Camila Leichter
Design Gráfico – Moinho Edições Limitadas
Consultoria em produção gráfica – Maíra Velho
Montagem – Rafael Muniz
Assessoria de Imprensa – Bruna Paulin
Assessoria Contábil – MVG Consultoria Contábil