Plataforma digital de arte afrodiaspórica promove evento de lançamento com exposição, performances e seminário internacional em Porto Alegre
Atividades presenciais gratuitas ocorrem entre os dias 19 e 21 de maio, no Espaço Força e Luz
A arte negra ganha um novo território de memória, difusão e articulação no ambiente digital com o lançamento da Oríkì – Arte Afrodiaspórica, plataforma dedicada a conectar, difundir e historicizar as produções artísticas e culturais de autoria negra africana e afrodiaspórica. O projeto será apresentado ao público no dia 19 de maio, às 18h30, no Espaço Força e Luz, em Porto Alegre, em evento que reúne performances, programação musical e exposição inédita, marcando as atividades presenciais da plataforma digital.
Idealizada pela historiadora da arte e curadora Izis Abreu, a plataforma nasce como um “quilombo digital”: um espaço virtual de pertencimento, memória e intercâmbio entre artistas, pesquisadores, agentes culturais e instituições dedicadas à Arte Negra no Brasil e no mundo. Viabilizada pelo Pró-Cultura RS (Edital SEDAC PNAB RS – Artes Visuais 2024), a iniciativa propõe ampliar a historiografia oficial da arte e consolidar um ambiente digital voltado à difusão de narrativas, criações, pesquisas e saberes afrodiaspóricos.
Arte afrodiaspórica refere-se ao conjunto de expressões artísticas e culturais produzidas por pessoas negras a partir das experiências históricas, simbólicas e estéticas da diáspora africana no mundo. Trata-se de uma produção que emerge do encontro entre ancestralidade africana e os múltiplos territórios em que essas populações se estabeleceram, criando linguagens próprias de resistência, memória e invenção. Esse campo abrange manifestações tão diversas quanto as pinturas de Rosana Paulino, a literatura de Conceição Evaristo, os filmes de Spike Lee, o teatro negro brasileiro, o samba, o jazz, o hip hop, os slams de poesia, as culturas de terreiro, a moda afrocentrada e inúmeras outras práticas que articulam arte, identidade e pensamento a partir de perspectivas negras. “Mais do que uma categoria estética, a arte afrodiaspórica constitui um campo de produção de conhecimento e de reinterpretação do mundo a partir de epistemologias negras”, revela Izis.
A Oriki atua como uma plataforma de pesquisa, curadoria e difusão da arte afrodiaspórica, que reúne produções artísticas, perfis de criadores, além de uma galeria digital e conteúdos voltados à valorização da produção cultural negra. Estruturada nos eixos Galeria, Educativo, Programa Público e Comunidade, a iniciativa promove formação e educação antirracista por meio de cursos, materiais pedagógicos e ações formativas; realiza exposições, oficinas, seminários e apresentações artísticas; e fomenta a articulação entre artistas, curadores, educadores, pesquisadores, mestres da cultura viva e instituições culturais, consolidando-se como uma rede de conexão, visibilidade e fortalecimento do ecossistema artístico e intelectual afrodiaspórico.
O eixo Comunidade propõe mapear, divulgar e estimular as trocas entre pessoas e instituições que se dedicam à memória, transmissão e criação de manifestações artísticas e culturais de autoria negra africana e afrodiaspórica, que se estrutura como uma página que reúne currículos de fazedores culturais e instituições cadastradas, construindo uma fonte para buscas profissionais com foco nas culturas negras. A plataforma também funciona como uma rede de articulação profissional e comunitária voltada a agentes que atuam no campo da arte e cultura negra africana e afrodiaspórica. Por meio de cadastro aberto, a iniciativa reúne produtores culturais, artistas, curadores, coletivos, arte-educadores, pesquisadores, mestres e mestras da cultura viva, museus, instituições e pontos de cultura, formando um ecossistema dedicado ao mapeamento, fortalecimento e difusão de profissionais, saberes e instituições comprometidos com a preservação, criação e circulação das culturas negras. Pessoas interessadas devem acessar https://oriki.art.br/junte-se-a-nos/ e fazer o cadastro.
Para além do espaço virtual, por meio de seu Programa Público, a plataforma viabilizará ações presenciais (oficinas, palestras, formações, residências, exposições, publicações) entre as/os/es integrantes da comunidade.
Já a Galeria digital da plataforma será construída por meio de convites curatoriais e editais públicos, permitindo que os próprios agentes culturais da comunidade contribuam diretamente para a formação do banco de imagens. Organizada em cinco núcleos curatoriais — Visualidades, Oralituras, Sonoridades, Territorialidades e Saberes — a coleção reúne produções e conhecimentos que atravessam artes visuais, performance, música, memória territorial e transmissão de saberes, reconhecendo a diversidade das expressões artístico-culturais africanas e afrodiaspóricas em suas dimensões estéticas, simbólicas e comunitárias.
No eixo Educativo, o público poderá encontrar materiais educativos voltados para o fortalecimento de práticas pedagógicas antirracistas por meio da arte, da cultura e da educação digital, com foco nas histórias e culturas africanas, afro-brasileiras.
Público poderá participar de programação presencial nos dias 19, 20 e 21 de maio com evento de lançamento e seminário
A noite de abertura, no Espaço Força e Luz, contará com performances de Fayola Ferreira, Nina Fola e samba de roda com o grupo Sambahêa.
Como parte da programação de lançamento, será inaugurada a exposição Indumentárias Ancestrais, pesquisa histórica e visual que investiga as vestimentas de mulheres negras no Brasil do século XIX e suas conexões com saberes e estéticas africanas — especialmente de Angola, Nigéria e Benin. A mostra, que ocupara a Galeria Arquipelago, apresenta reconstruções de trajes, joalherias e referências iconográficas que evidenciam continuidades culturais entre África e Brasil, propondo uma leitura crítica sobre memória, identidade e resistência a partir da indumentária como linguagem política e arquivo vivo da diáspora. A mostra conta com curadoria de Clau Campos, Deborah Silva, Caroline Ferreira e Izis Abreu.
Nos dias 20 e 21 de maio, a programação segue com o seminário “Indumentárias Ancestrais – Diálogos Contemporâneos”, que integra o programa público da exposição e reúne pesquisadoras, artistas, lideranças religiosas e especialistas do Brasil e de Angola para debater moda, ancestralidade, ativismo, religiosidade e preservação de indumentárias tradicionais nas culturas afrodiaspóricas.
O seminário será estruturado em três mesas temáticas: Moda e Ativismo, com a designer e artista Goya Lopes e a professora e pesquisadora Débora Idalgo Marques e mediação da designer e historiadora Cláudia Campos; Do cotidiano oitocentista brasileiro aos ritos da tradição de matriz africana na contemporaneidade, com Norma Alves de Oliveira e Iraildes Maria Santos, mestras da Casa do Alaká/ Ilê Axé Opô Afonjá e mediação da socióloga e artista Nina Fola e Resgate de Vestimentas Tradicionais em Angola e no Brasil, com a angolana Elizabeth Santos, pesquisadora docente no Departamento de Design de Moda, na Faculdade de Artes da Uniluandae a idealizadora do projeto de pesquisa Indumentárias Ancestrais e diretora da Oriki Izis Abreu e mediação de Laila Garroni.O acesso é gratuito a todas as atividades, sejam os encontros presenciais no dia 20, ou o encontro virtual no dia 21, através da plataforma meet (link será divulgado nos canais do projeto).
Para mais informações, acesse instagram.com/orikiarte
Lançamento da Plataforma Oríkì Arte Afrodiaspórica + Abertura da Exposição Indumentárias Ancestrais
19 de maio, terça-feira, 18h30
Espaço Força e Luz – R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico, Porto Alegre
Seminário Indumentárias Ancestrais
Moda e Ativismo, com Goya Lopes, designer e artista e Profª. Débora Idalgo Marques , professora de Moda do SENAC/RS e Doutoranda em Design UFRGS
Mediação: Cláudia Campos, designer e historiadora
20 de maio de 2026, 16h
Auditório Barbosa Lessa no 4º andar do Espaço Força e Luz
Do cotidiano oitocentista brasileiro aos ritos da tradição de matriz africana na contemporaneidade, com Norma Alves de Oliveira, Mestra da Casa do Alaká/ Ilê Axé Opô Afonjá e Iraildes Maria Santos, Mestra da Casa do Alaká/ Ilê Axé Opô Afonjá
Mediação: Nina Fola, socióloga
20 de maio de 2026, 19h
Auditório Espaço Força e Luz
Resgate de Vestimentas Tradicionais em Angola e no Brasil, com Profª Elizabeth Santos, Departamento de Ensino e Investigação de Design de Moda – Universidade de Luanda (Uniluanda) e Izis Abreu, Diretora da Oriki – Arte Afrodiaspórica e idealizadora do projeto Indumentárias Ancestrais
Mediação: Laila Garroni
21 de maio de 2026, 19h (Brasil) | 23h (Angola)
Formato: Virtual (através da plataforma Meet, link disponível na bio da Oriki Arte Afrodiaspórica: @orikiarte
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