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SOPAPO BEAT – lançamento do álbum da Bataclã FC

30 de outubro de 2026

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Atualizado em 20/10/2026

Sobre o evento

Sopapo Beat, novo álbum da Bataclã FC, terá show de lançamento dia 30 de outubro no Teatro Bancários RS e chega às plataformas em 20 de novembro

O novo álbum da Bataclã FC, Sopapo Beat, anuncia seus eventos de lançamento. O show em 30 de outubro, no novíssimo Teatro Bancários RS, antecipa o lançamento nas plataformas e o pré-save do álbum, que tem o selo Sete Sóis de São Paulo. Já o álbum, chega na íntegra nas plataformas dia 20 de novembro. No dia 30, às 20h, Richard Serraria sobe ao palco acompanhado por Sandro Gravador, Duke Jay, Pingo Borel, Tuti Rodrigues, Vitor Curth, Danilo Marcondes, Angelo Primon, Marcelo Corsetti, Indira Castro, Letícia Francisco para mostrar as novas canções – e também canções de outros tempos, apresentadas por essa banda afinada e unida por ideais comuns e pelo amor à arte. A banda anuncia a participação especial de Pablo Lanzoni além de algumas surpresas.

Sopapo Beat traz em sua essência a alma percussiva do cone sul da Améfrica, um caminho a ser trilhado por artistas, educadores e apreciadores de música na contemporaneidade, em uma afirmação da sub tropicalidade da música feita na região. Nas palavras de Serraria, “uma certa estética do mormaço, não em oposição, mas em complementação à estética do frio”. O novo álbum da Bataclã FC, vai chegando nesse espírito, com o grande tambor sopapo no centro da narrativa, conectando os saberes ancestrais ao contemporâneo. As tradições inventadas no RS propuseram certo apagamento das heranças negras e originárias no folclore oficial. O sopapo no RS, mais que um instrumento musical, é um artefato político ao atestar a presença negra na construção econômica da região. Se houve presença no trabalho, também existem marcas culturais vivas que contam tal história. As mãos que carneavam o boi para salgar e produzir o charque, de certo modo são as mãos que hoje tocam sopapo afirmando um RS negro em oposição à falácia de que somos apenas a Europa do Brasil.  Esse conteúdo cultural se insere numa trajetória mais ampla empreendida por Richard Serraria junto ao sopapo que o acompanha desde 1999 vindo do Projeto Cabobu em Pelotas.

Sopapo Beat, o álbum, vem sendo gestado desde meados de 2025, no modelo de autofinanciamento, em que a banda faz show e destina cachês para a construção coletiva de uma obra importante para o cenário cultural do cone sul, e sobretudo para a afirmação da luta antirracista no Brasil que em grande parte ainda enxerga o RS como um estado unicamente branco. Trata-se do quarto conteúdo fonográfico da banda capitaneada lírica e politicamente por Richard Serraria mesclando peso e poesia universal, mas sempre reafirmando e dando corpo à voz periférica da gente simples, que anda pelas ruas de uma cidade de terceiro mundo que insiste em se manter de costas para suas águas, o rio Guaíba, poluído e abandonado pelo poder público.

“Bataclã FC é denúncia, é participação cidadã no formato canção, mas é sobretudo a crença de que através da educação e da cultura se faz possível a construção de um mundo mais justo e, portanto, melhor. Isso é Sopapo Beat, a dança das cadeiras sem prescindir da dança do intelecto”, reflete Richard Serraria. Com oito prêmios Açorianos de Música, a banda, com sua poética peculiar porto-alegrense, não se priva de se manifestar. A banda participou da fundação e sugeriu nome ao Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, esteve presente na construção da trilha sonora e roteiro do documentário O grande tambor (Iphan/Catarse: 2010) e em 2011 recebeu o Selo Cultura Viva do MINC por seu trabalho de valorização do sopapo. Nos últimos anos o sopapo vem se espraiando por diferentes contextos no RS. Está presente no livro de poesia Sopaporiki, na contação de história infantil da Girafa da Cerquinha, na performance, arte ciborgue, nas universidades apenas para citar alguns contextos. Na Bataclã, ocupa o centro do palco há quase 30 anos, proporcionando diálogo entre o rock, o rap e o samba gaúcho. “Uma marca de amefricanidade, cunhada por Lélia Gonzalez. Sopapo raiz e antena chamando atenção para a necessidade urgente de incorporação de saberes negros e originários ao corpus da historiografia cultural brasileira”, complementa Serraria. 

SOPAPO BEAT faixa a faixa, por Serraria:

Pachamama Revolução traz a tradicional cartografia poética porto-alegrense, marca da poética bataclânica, aqui em versão renovada, potente posicionamento político e presença marcante do grande tambor charqueador em diálogo com eletronices. Raízes e antenas num passeio por lugares da capital gaúcha numa poesia que sustenta em belas imagens poéticas mesmo para quem não conhece a cidade. Sampler de Mercedes Sosa na parte final da canção. Se permitir pensar numa voz originária bradando revolta diante da colonização com seu processo de catequese indígena: “Nem todo menino é Deus, nem todo bom é Jesus, nem todo espírito é santo, nem todo morro é da cruz.”

Islâmico Bagulyon, canção de Richard Serraria e Kléber Albuquerque com participação de Tonho Crocco nos vocais. Uma poesia que fala do multiculturalismo e ao mesmo tempo se posiciona em prol da Palestina e da tentativa de apagamento de um povo. Uma letra que começa sarcástica e irônica e vai desenhando um passeio pelo planeta com aquelas marcas peculiares de alguns países. Uma mensagem de resistência numraggamufin, com presença nos vocais da cantora cubana Indira Castro.

Que pasa papá, a tradicional expressão da bacia do Prata servindo de refrão para um rap com letra bem-humorada e ao mesmo tempo crítica que igualmente passeia por lugares porto-alegrenses, a rima da beira, da Glória, da Medianeira e do Zé da Terreira. Canção de riff de guitarra forte e com percussões desenhadas por Tuti Rodrigues (premiado com dois Grammys Latinos) além de arranjo primoroso de Angelo Primon. O rap sempre foi um gênero visitado pela Bataclã FC desde seu primeiro disco em 2002 e no quarto álbum não poderia faltar isso dentro do caldeirão Sopapo Beat.

O jangadeiro não sabe nadar passeia por lugares marcantes da zona sul carioca numa canção de Richard Serraria e Otávio Santos. Uma homenagem a Iemanjá, rainha do mar e uma canção em trânsito: “Dorme princesa, acorda Isabel, o túnel na pedra, o brilho no céu”. A canção dialoga com um conto de Oscar Wilde, O pescador e a alma e isso tudo embalado num samba funk com muito suingue numa pegada dançante e com a presença de naipe de metais, novidade nos arranjos da Bataclã FC.

Um bonde chamado desejo vem em reggaeton citando Tenesse Williams no título e com arranjos eletrônicos em diálogo com o sopapo e sua potência sonora na região grave, ‘olodunizando’ a canção em alguns trechos. Com naipe de metais, black musicna veia, uma canção estradeira para ouvir caminhando, correndo ou passeando de carro, trem ou bike. “Vambora de carro trem ou bonde vamu agora pegar a estrada pronde o desejo mora”. Quase ao final um fast flow de rap para deixar a canção ainda mais instigante e louvando a nobre arte do repente que nada mais é do que poesia em improviso.

Só se for só se apresenta num samba funk, assinado por Richard Serraria e também com arranjo de metais escritos por Angelo Primon, chegando com o balanço contagiante no modo característico da Bataclã FC em seu equilíbrio da dança das cadeiras (música para dançar) flertando com a dança do intelecto (poesia para pensar no formato canção). Linha de baixo priorizando a irrevogável ‘lei da groovidade’, aquela que diz ser impossível não se entregar ao suor que exalam os corpos quando em estado diabolicamente divino de dança.

Bataclã, canção de Richard Serraria e Pablo Lanzoni a partir do livro de poesia de 2021 escrito por Richard Serraria, Sopaporiki. Um sopapo contador de histórias, aqui em louvação ao Bará, o orixá que abre os caminhos. Canção produzida na cidade do Porto, Portugal por Guilherme do Espírito Santo, compositor central da banda nos três primeiros discos e hoje residindo na Europa. A percussão magistral é de Tuti Rodrigues e Pingo Borel, world music percussiva,  negritude ancestral local nas mãos sagradas que fazem parte da história do Batuque de Nação Oyó Idjexá, herança iorubá entranhada na cultura gaúcha. As eletronices são de Léo Bracht e levam a alma a um sentimento transcendental de elevação.

Farol da Solidão, de Richard Serraria é uma balada soul, charm melody, de andamento cadenciado e responde a uma pergunta: Por que a Bataclã FC não faz canções de amor? A resposta veio tão respeitosa quanto provocadora: “Como é que faz pra chegar na solidão, como encontrar luz do sol na escuridão? Deve haver um jeito se não houver invento, feitiço da boca é o silêncio”. Um provérbio africano transformado em base para uma canção existencial e com arranjo de voz primoroso composto pelo coletivo criador da Bataclã FC junto a Inácio do Canto e Pablo Lanzoni. A suavidade das guitarras de Marcelo Corsetti e Angelo Primon merecem atenção cuidadosa na escuta em função da alta capacidade de encantamento da dupla.

 Foto: Náthaly Weber

Ficha técnica SOPAPO BEAT

Direção artística, poesias e voz principal: Richard Serraria

Toca discos e voz: Duke Jay da Monte Cristo

Sopapo e repinique: Sandro Gravador

Guitarras, voz e violão: Angelo Primon

Bateria: Vitor Curth

Baixo: Danilo Marcondes

Percussões: Tuti Rodrigues e Pingo Borel

Voz: Indira Castro, Tonho Crocco, Letícia Francisco

Guitarra: Guilherme do Espírito Santo

Sopros: Filipe Moura

Flauta Duduk: Beto Scopel

Sugestão arranjos de voz: Pablo Lanzoni e Inácio do Canto

Gravações no Estúdio TR Produções (Tuti Rodrigues) Porto Alegre

Gravações adicionais em Portugal por Guilherme do Espírito Santo e Tec Áudio Estúdio Porto Alegre

Mixagens: Adriano Wigger

Produção de Tuti Rodrigues e Angelo Primon

Pré-produções no Lunar do Sopapo e Estúdio Tec Áudio

SOPAPO BEAT – lançamento do álbum da Bataclã FC

Dia 30 de outubro, às 20h

Teatro Bancários – Rua Cel. Fernando Machado, 820

Ingressos:

R$ 60,00 e R$ 30,00 (meia entrada)

Na plataforma Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/sopapo-beat-batacla-fc/3598312

O álbum Sopapo Beat estará nas plataformas, na íntegra, em 20 de novembro de 2026

Redes Bataclã FC

https://www.instagram.com/bataclafazdeconta

https://www.facebook.com/reciclepoesia

https://www.youtube.com/@bataclafcoficial1978

Realização: Tarrafa & Argonauta Cultural

Mídias Sociais: Saia Rodada

Figurino: Paloma Coronel

Direção cênica: Leandro Silva

Luz: Cristiano Adeli

Som: TR Produções

Apoio cultural: Sintrajufe, Sete Sóis e Open Stage

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