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16º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira

25 June a 05 de julho de 2026

Gratuito

Organizado por Ministério da Cultura, Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre e Petrobras

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Atualizado em 22/06/2026

Sobre o evento

Ministério da Cultura, Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre e Petrobras apresentam:

16º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira ocorre de 25 de junho a 05 de julho em Porto Alegre

Festival, que há mais de duas décadas se dedica ao cruzamento de linguagens da arte audiovisual brasileira, comemora mais uma edição com atividades em cinco espaços da cidade

Gratuito, o evento é realizado por meio da Lei Rouanet e da Política Nacional Aldir Blanc, com patrocínio master da Petrobras e patrocínio Itaú Unibanco

A partir de 25 de junho o público de Porto Alegre e de outras regiões do país poderão viver uma imersão na produção da arte audiovisual brasileira dos últimos anos, através da programação do 16º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira, que ocorre até 05 de julho. O evento promove sete mostras, além de debates, oficinas e a quinta edição do Seminário Pensar a Imagem, realizadas de forma totalmente gratuita na Cinemateca Capitólio, Goethe Institut Porto Alegre, Cinemateca Paulo Amorim, MACRS e Instituto Remanso. 

As 130 obras se dividem nas mostras Competitiva Brasil, Outros Esquemas, Audiovisual em Curso, Acessível, de Acervo e Artista Convidada – Letícia Ramos, . A Mostra Competitiva Brasil, seleção tradicional do evento, elegeu de 840 inscritos 36 obras que integram a programação e serão exibidas tanto em sala de cinema como em espaços expositivos. Mais de 346 horas de material foram avaliadas e eleitas pelo time de curadores formado por Dirnei Prates, Kamyla Belli, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo. Entre os destaques de 2026, está a Mostra Especial Petrobras, com sessões dedicadas à obra do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, um dos nomes centrais do audiovisual brasileiro contemporâneo

No dia 25, na abertura do festival, o público poderá conferir a performance inédita no Brasil: Leticia Ramos + Rossano Snel –  Filmes e Música que conta com a projeção de uma seleção de filmes com execução de trilha sonora e foley ao vivo com orquestra, sob regência de Rossano Snel e participação de Vagner Cunha, NIna Nicolayewsky e Marcelo Armani.

“O CEN é um festival que busca apontar para diferentes caminhos, tendo na experimentação, na pesquisa por novas estéticas e podemos até dizer, na vanguarda audiovisual, estabelecer relações entre obras e diálogo com o público, explorando também a experiência coletiva nos espaços em que são exibidas”, afirmam os organizadores e curadores do CEN, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo

O CEN mantém a linha que orienta o festival desde sua criação: a busca por obras audiovisuais capazes de provocar deslocamentos, com força autoral, invenção formal e risco estético. O interesse da curadoria não está apenas nas obras individualmente, mas também nas relações que elas estabelecem entre si e nas estratégias de exibição propostas ao público — seja na construção dos programas de sala, na ocupação de espaços expositivos ou na viabilização de performances ao vivo.  

O Caderno de Artista, formato lançado em 2021 e repetido em 2025, segue em 2026. O Caderno de Artista é um ambiente online construído em parceria com cada um dos selecionados e com a artista convidada e estará disponível no site do CEN, em uma página dedicada ao universo criativo de cada artista. Nela, será possível compartilhar materiais sobre processos de criação, além de biografia, referências e entrevistas realizadas pela equipe do festival. A Competitiva Brasil conta com 6 projetos assinados por duos ou grupos, 13 realizadoras, 15 realizadores, além de artistas não-bináries. Temáticas como questões de memória, identidade, territorialidade, dissidência de gênero, fabulação política e relações entre corpo, arquivo e tecnologia, entre outras, pautam os títulos selecionados a partir de 12 Estados brasileiros, e oito produções assinadas por brasileiros realizadas no exterior (ou em coprodução internacional).

Um dos destaques da Competitiva Brasil é a Trilogia das Plantas, parceria entre Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança, composta por três obras complementares que imaginam uma insurgência vegetal e cosmologias indígenas em diálogo com ficção especulativa, instalação e performance audiovisual. Esta é a primeira vez que a Mostra conta com uma trilogia, assim como é a estreia deste formato na programação do evento. Floresta do Fim do Mundo, segunda obra da trilogia, exibida no Forum Expanded da Berlinale, acompanha Suely, uma mulher indígena dividida entre a vida urbana e sonhos em comunicação com uma floresta em transformação, enquanto a terceira instalação da trilogia projeta um mundo pós-apocalíptico vegetal em uma experiência imersiva de múltiplos monitores.

A programação destaca o retorno de artistas já presentes em edições anteriores do Cine Esquema Novo, reafirmando trajetórias fundamentais do cinema de invenção brasileiro contemporâneo e de filmes de artista. Jonathas de Andrade, que ocupou o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza de 2022 e já esteve na programação do CEN com O Caseiro (CEN 2016), O Peixe em 2018, Jogos Dirigidos (CEN 2019) e La Joie Musculaire e Columbófilos em 2025, participa com os trabalhos Sorelle Senza Nome e Jangadeiros e Canoeiros, aprofundando sua investigação entre corpo, performance, imagem e fabulação política; Jean-Claude Bernardet retorna ao festival ao lado de Fábio Rogério em Mensagem de Sergipe, obra que atravessa humor, envelhecimento e experimentalismo; Lia Letícia e Pedro Severien apresentam Dynamite Som – O futuro é Lamento Negro, ficção especulativa atravessada por memória afro-brasileira e musicalidade. Lia já esteve nas edições de 2025, 2021 e 2019 do festival, com as produções Mar de Dentro, Per Capita e Thinya. Gustavo Jahn integra a seleção com dois trabalhos — Em Busca de S e Extra-Campo, As Sombras, este em parceria com Anna Dubosc — explorando o cinema como espaço de sonho, deslocamento e escrita íntima; enquanto Carlos Adriano exibe SEM TÍTULO #11: UM ANALECTO À MULA, novo capítulo de sua pesquisa de montagem, arquivo e poesia audiovisual. 

“Ao longo de mais de duas décadas, o festival consolidou-se como um espaço dedicado à descoberta de novos artistas, à circulação de obras inovadoras e à reflexão sobre as múltiplas formas de expressão que compõem o campo audiovisual. É justamente essa longevidade que nos permite constatar que o Cine Esquema Novo se afirma como um festival que, muito mais do que selecionar e exibir filmes, acompanha trajetórias artísticas”, afirmam os organizadores. 

A relação entre memória, território e política atravessa obras como Do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, de Weyna Macedo, Lucas Parente, Adeciany Castro e Mariana Smith, realizado em película 16mm vencida, recuperando a história do massacre da comunidade liderada pelo Beato José Lourenço; Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique, documentário inteiramente construído a partir de arquivos sobre o fracasso histórico de um McDonald’s em Olinda; e Soldado sem Sono, filme de found footage assinado por Rafael de Almeida (que já esteve em 2025 com Tupananchiskama) que investiga o sono como última fronteira improdutiva do capitalismo contemporâneo, inspirado no pensamento de Jonathan Crary.

Os trabalhos também apontam para uma presença marcante de narrativas LGBTQIA+, especialmente em propostas que articulam gênero, corpo e experimentação formal. Em Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr., o luto e a velhice queer se transformam em um musical delirante inspirado nas chanchadas brasileiras e nos musicais de Busby Berkeley; Trivakra, de Sofia Angst, mistura biotecnologia, travestilidade e glitch art para discutir corporalidades dissidentes; Ainda escuto o céu embaixo d’água, realizado coletivamente por Alice Lovelace, Céuva, Kalina Flor, Lua de Kendra, Marina Bonifácio, Morgana Neves, Nara Dos Santos, Pérolla Negra e Samantha de Araújo, acompanha uma jovem travesti incapaz de sonhar; e Fale a ela o que me aconteceu, de Pethrus Tibúrcio, constrói um relato afetivo e subjetivo sobre desejo, violência e memória nas noites do Recife. Com dez prêmios acumulados em sua trajetória, o filme já foi exibido em festivais como Rotterdam, XPOSED Berlin, QueerCineMad e Festival de Havana.

Diversas obras utilizam o deslocamento físico ou emocional como motor narrativo. Antes do Nome, de Luiz Pretti, propõe um fluxo contínuo de reinvenção subjetiva e dissolução da individualidade; Fronteriza, de Nay Mendl e Rosa Caldeira (selecionades em 2021 com Periferucu), acompanha um jovem trans em busca do pai na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina; Logos, de Britney Federline, transforma uma viagem de carro em reflexão sobre memória, identidade e corporalidade trans; e Como Nasce Um Rio, de Luma Flôres, aborda autodescoberta sexual por meio de uma jornada poética junto à natureza.

Há ainda uma forte presença de filmes sobre o próprio cinema e suas fantasmagorias. Entrevista com Fantasmas, de Lincoln Péricles, investiga salas de cinema desaparecidas e a memória espectral das imagens; Adulto/Homem, de Pedro Diogenes, observa rostos de atores aguardando testes de elenco; A Biblioteca de Jorge Furtado, de Glênio Póvoas e Luiz Alberto Cassol, transforma livros e estantes em percurso pela criação do cineasta gaúcho; enquanto Organising Principles of Experience, de Gabriela Tropia, propõe um diálogo entre inteligência artificial e os escritos de Maya Deren para imaginar filmes impossíveis.

Também surgem obras marcadas pela fabulação poética e pelo cruzamento entre realidade e sonho. As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (que participou em 2009 com BOMBA), mergulha em encontros noturnos e fragmentos afetivos no centro decadente de uma metrópole; Mãe da Manhã, de Clara Trevisan, constrói um mito de criação em stop motion protagonizado por uma criatura não humana; Estátuas também morrem?, de Thais Fernandes, observa crianças interrogando monumentos comunistas em Budapeste; e Viagem no Tempo, de Pedro Bournoukian, usa um único vídeo doméstico para revisitar ausência, infância e memória familiar.

“A seleção da curadoria revela um panorama de obras que operam menos pela narrativa clássica e mais pela criação de atmosferas, estados de presença e experiências sensoriais. É uma arte audiovisual interessada em ruínas, arquivos, performatividade, memória política, ficção especulativa, deslocamentos identitários e novas formas de imaginar o mundo — ou o fim dele”, revelam os curadores.

Para a diretora do CEN e integrante do time curatorial, Jaqueline Beltrame, a seleção apresenta uma característica da curadoria do festival, que se repete ao longo das edições: “buscamos conhecer novos trabalhos e artistas, assim como acompanhamos a produção dos artistas que já integraram diferentes edições do Cine Esquema Novo”, declara. “É muito interessante, tanto para a curadoria, quanto para o público, acompanhar trajetórias através do festival. Desta forma o CEN colabora com a conexão dos artistas e os espectadores, afirma. 

A Mostra Competitiva Brasil premiará ao final do evento o Grande Prêmio 16º Cine Esquema Novo, de R$ 5.000,00 e 5 Prêmios Especiais do Júri, com troféu criado por Luiz Roque especialmente para o festival. O Júri Oficial poderá outorgar até 5 prêmios, de forma livre, dentre todas as obras em competição e é formado pelo artista, curador, produtor e gestor cultural André Severo, a historiadora, crítica e programadora de mostras e festivais de cinema Lorenna Rocha, e o  ator, diretor e roteirista Victor Di Marco. As sessões são seguidas de debates em parceria com a ACCIRS – Associação dos Críticos de Cinema do RS.

Leticia Ramos é a artista convidada desta edição 

Nascida em Santo Antônio da Patrulha e atualmente vivendo em São Paulo, a artista Leticia Ramos é a artista homenageada da 16ª edição do Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira e terá uma mostra dedicada ao seu trabalho. Entre ficção científica especulativa, arqueologia da imagem e experimentação analógica, o público poderá conferir uma seleção de oito obras que compreendem 15 anos da produção em filme da artista. A programação acontece nos dias 25 e 27 de junho, às 19h, na Cinemateca Capitólio, reunindo obras produzidas entre 2007 e 2024 que atravessam cinema experimental, performance visual, ciência, imaginação geológica e pesquisa fotográfica. No dia 25, na abertura do festival, o público poderá conferir a performance inédita no Brasil: Leticia Ramos + Rossano Snel –  Filmes e Música. Já no dia 27, será possível acompanhar uma sessão estendida de filmes incluindo a cópia rara em 35mm do filme [VOSTOK], parte da Coleção Moraes Barbosa . Esta sessão será seguida de debate com Letícia e Rossano. 

Reconhecida internacionalmente por sua investigação rigorosa sobre matéria, fenômenos ópticos e processos analógicos de imagem, Leticia Ramos constrói obras que parecem vir simultaneamente do passado e do futuro. Utilizando maquetes, câmeras construídas artesanalmente, microfilme, stop motion, imagens microscópicas e dispositivos ópticos experimentais, a artista cria universos ficcionais onde ciência, clima, memória e fabulação convivem em permanente estado de instabilidade. Parte de seu processo estará disponível em seu Caderno de Artista, no site do CEN. 

De acordo com os organizadores e curadores do CEN, “a Mostra Artista Convidada reafirma uma das marcas históricas do Cine Esquema Novo: aproximar o audiovisual brasileiro contemporâneo das artes visuais, da pesquisa estética e da invenção radical das formas, assim como a valorização de artistas como agentes centrais neste processo. No caso de Letícia, seu trabalho é acompanhado pelos organizadores do festival desde a segunda edição do CEN, quando apresentou dois vídeos na mostra Sala de Aula, quando era estudante da FAAP.

A mostra apresenta um recorte significativo dessa trajetória, incluindo trabalhos como A Noite Azul / The Blue Night, inspirado nos relatos de viagem de Hercule Florence e produzido a partir de técnicas de microfilmagem e animação stop motion; Null Island, que transforma imagens captadas por webcams da Antártida em uma reflexão sobre isolamento, cartografia e solidão; e [VOSTOK], ficção científica construída a partir de investigações sobre lagos subglaciais e pesquisas russas na Antártida.

Também integram a programação BLOCO TESTEMUNHO, em que um colapso solar provoca apagões e fenômenos inexplicáveis em um prédio antigo; DROP SPIKE, sobre misteriosas esferas luminosas surgidas após o degelo polar; e Não é difícil para um investigador da natureza simular seus fenômenos, experimento cinematográfico inspirado nos escritos de Immanuel Kant sobre o terremoto de Lisboa. Todos estes filmes foram produzidos em 16mm .

Ao longo da seleção, o cinema surge menos como registro da realidade e mais como máquina especulativa — um laboratório visual onde fenômenos climáticos, ruínas tecnológicas, oceanos, terremotos e atmosferas cósmicas se tornam matéria poética. Em comum, as obras compartilham um fascínio pela construção manual da imagem e pela capacidade do audiovisual de imaginar mundos possíveis.

Com obras presentes em coleções públicas como Instituto Moreira Salles, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e Itaú Cultural, KADIST, Novo Museu de Mônaco, Coleção Moraes Barbosa , Fundacion Botin, entre outros. Leticia Ramos atualmente integra o programa internacional OCEANS EDGE, realizado pela Pivô em parceria com a organização britânica Invisible Dust, investigando artisticamente os futuros possíveis do Oceano Atlântico.

Mostra Outros Esquemas apresenta 10 obras de 8 estados brasileiros

Pela quarta edição, o público poderá conferir dentro da programação do 16º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira a Mostra Outros Esquemas, que contará com sessões na Cinemateca Paulo Amorim a partir de 26 de junho. A mostra não-competitiva, que passou a integrar a programação do CEN em 2019 como forma de contemplar mais um espaço de expressão da arte audiovisual brasileira, apresenta uma curadoria com 10 obras, selecionadas por Dirnei Prates, Jaqueline Beltrame, Kamyla Belli e Ramiro Azevedo.

Nesta edição, foram dez selecionados de oito Estados do Brasil. São obras sobre personagens e territórios que vivem nas bordas: periferias, corpos trans, juventudes dissidentes, arquivos incompletos, religiosidades populares, espaços abandonados, memórias corroídas, heranças traumáticas. Integram a seleção os títulos Aláfia (Cecilia Fontenele), Badlands: um parque fictício (Cristyelen Ambrozio), Bate Cabelo! (Luís Knihs), Boi de Salto (Tássia Araújo), Braço Forte (Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas), Capim-Navalha (Michel Queiroz), Drunken Car (Brunella Martina), Judas é Meu Avô (Dudu Gehlen), Música Clássica é pra Quem? (Eliete Ramos), Vermelho de Bolinhas (Joedson Kelvin e Renata Fortes).

Acervos de três instituições e do CEN integram segunda edição da Mostra de Acervos

A memória como imagem viva, arquivo em movimento e campo de disputa estética é o eixo da Mostra de Acervos da 16ª edição do CEN. Realizada entre os dias 26 e 30 de junho, às 19h e 21h, na Cinemateca Paulo Amorim, a programação reúne obras audiovisuais de quatro importantes acervos: Fundação Vera Chaves Barcellos, Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul e o próprio acervo do Cine Esquema Novo. 

Com curadoria de Roger Lerina, a mostra amplia uma experiência iniciada pelo festival em 2022, e que seguiu na 15ª edição, propondo um diálogo entre videoarte, filmes de artista, registros performáticos e experimentações audiovisuais produzidas em diferentes épocas, geografias e contextos artísticos.

“O garimpo feito nos arquivos do CEN, da FVCB, do MACRS e do MARGS traz à luz um veio poético pulsante que precisa ser conhecido ainda mais pelo meio artístico e o público em geral. Afirmações identitárias de gênero e raça, confrontações a heranças coloniais, críticas sociais e políticas, denúncias da crise climática, questionamentos ao poder da imagem, discursos sobre o corpo, ensaios estéticos – são algumas das temáticas e abordagens apresentadas nessa oportunidade única de entrar em contato com trabalhos audiovisuais de nomes locais, nacionais e estrangeiros, históricos e contemporâneos, raramente exibidos. Uma Mostra de Acervo plural, caleidoscópica e instigante”, revela o curador.

Entre os destaques da programação da Fundação Vera Chaves Barcellos estão trabalhos de artistas fundamentais da videoarte e da arte conceitual, como Letícia Parente, Dennis Oppenheim e Cao Guimarães, além de obras de Claudio Goulart e Flavio Pons, Regina Vater e Bill Lundberg. Já o programa do MARGS aproxima artistas de diferentes gerações, reunindo nomes como Leila Danziger, Guilherme Dable, Andressa Cantergiani e Gabriela Souza da Rosa.

O programa dedicado ao acervo do Cine Esquema Novo evidencia o papel histórico do festival na circulação de obras experimentais e na consolidação de um espaço voltado às interseções entre cinema, arte contemporânea e performance. Integram a seleção trabalhos de Guto Parente, Lia Letícia, Guerreiro do Divino Amor e Welket Bungué, entre outros artistas que atravessam o audiovisual por vias híbridas, dissidentes e experimentais.

Também integra a mostra a obra Surveillance, de Regina Silveira, pertencente ao acervo do MACRS, reafirmando o diálogo entre práticas audiovisuais e artes visuais contemporâneas. A obra será projetada fora da sala de cinema, como proposta do festival de ocupar diferentes espaços. 

No dia 30, às 19h, ocorre sessão seguida de debate com Bruna Martin (Coordenadora do Setor de Acervo Artístico da FVCB); Arthur Bonfim Carmo (Assistente do Setor de Acervo Artístico da FVCB; Adriana Boff (Diretora do MACRS); Francisco Dalcol (Diretor-Curador do MARGS) e Jaqueline Beltrame (ACENDI) e mediação de Roger Lerina.

Mostra Especial Petrobras traz seleção de obras de Kleber Mendonça Filho

No dia 1º de julho, a partir das 15h, na Cinemateca Capitólio, o festival promove a  Mostra Especial Petrobras, com sessões dedicadas à obra do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, um dos nomes centrais do audiovisual brasileiro contemporâneo. A programação reúne cinco filmes do realizador — Vinil Verde (2004), Eletrodoméstica (2005), Noite de Sexta Manhã de Sábado (2006), Recife Frio (2009), e o longa-documentário Crítico (2008).

A relação entre o Cine Esquema Novo e a obra de Kleber Mendonça Filho atravessa anos de afinidade estética. O diretor já integrou três edições do festival com as obras Menina do Algodão, exibida em 2003, Vinil Verde na edição de 2006 e Eletrodoméstica, em 2007. Seu retorno ao CEN agora ocorre em uma mostra especial que reafirma o diálogo histórico do festival com artistas que expandem as fronteiras da linguagem audiovisual.

A Mostra Especial Petrobras também marca o reencontro entre o festival e a Petrobras, patrocinadora de seis edições do Cine Esquema Novo ao longo de sua trajetória e que volta a integrar a realização do evento em 2026. A parceria reforça o papel histórico da empresa no incentivo à cultura e ao audiovisual brasileiro, setor cuja permanência e renovação dependem diretamente de políticas de investimento contínuo, circulação de obras e fortalecimento de espaços de formação crítica e experimentação artística. “Nossa relação com a Petrobras vem desde 2006, ano que iniciamos uma parceria que seguiu por seis anos, até 2013. Termos de volta o patrocínio de uma marca que é referência no apoio da arte audiovisual brasileira reafirma sua relevância na história da nossa produção”, revelam os organizadores do CEN, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo. 

Ao reunir trabalhos produzidos entre 2004 e 2009, a sessão oferece ao público a possibilidade de acompanhar diferentes momentos da construção estética de Kleber Mendonça Filho. Dos jogos formais e tensões domésticas de Eletrodoméstica e Vinil Verde às experiências entre ficção e falso documentário em Recife Frio, passando pela intimidade silenciosa de Noite de Sexta Manhã de Sábado e pela reflexão sobre cinema, crítica e mercado presente em Crítico, a mostra evidencia um conjunto de obras que ajudaram a redesenhar o cinema brasileiro contemporâneo.

Em Crítico, exibido às 15h, o diretor parte de sua própria trajetória como jornalista e crítico de cinema para investigar as relações entre criação artística, recepção crítica e indústria cultural. O documentário reúne depoimentos de nomes como Gus Van Sant, Eduardo Coutinho, Walter Salles, Carlos Reichenbach e Carlos Saura, propondo uma reflexão sobre o lugar do olhar crítico em um cenário audiovisual cada vez mais atravessado por lógicas de mercado.

Acessibilidade e produção universitária também integram a programação 

O público também poderá conferir cinco dos filmes da Mostra Competitiva em sessões acessíveis na Cinemateca Capitólio. As sessões ocorrem nos dias 26 e 30 de junho, às 15h. Integram a mostra as obras Interior, Dia, Cavalo Serpente, Um Oceano Inteiro, Os Arcos Dourados de Olinda e Vasta Natureza de Minha Mãe. Além destas exibições, a programação contará com Libras e audiodescrição nos debates da Mostra Competitiva Brasil e no Seminário Pensar a Imagem, e Libras nas cerimônias de abertura e premiação.

Ainda ocorre a terceira edição da Mostra Audiovisual em Curso, que conta com a curadoria de 21 alunos de cursos de Animação, Artes Visuais, História da Arte e Produção Audiovisual, de seis instituições do RS: Unisinos, PUCRS, UFRGS, Uniritter, UFPel e UFSM. A mostra reúne 37 obras selecionadas pelos estudantes que participaram de oficina de curadoria ministrada pelos organizadores e curadores do CEN, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo. A exibição das produções ocorrem nos dias 27 e 28 de junho, na Cinemateca Paulo Amorim, às 11h.

O CEN conta com mais uma edição da oficina Câmera Causa, um projeto de empoderamento audiovisual que surgiu em 2018, voltado para grupos em vulnerabilidade social, escolas públicas, qualificação de professores, coletivos e demais projetos sociais. Coordenado pelo cineasta e professor da PUCRS Gustavo Spolidoro, parte do princípio de que todos temos um dispositivo móvel que é também uma câmera, uma distribuidora e uma exibidora de conteúdo audiovisual. Esta é a quinta edição do projeto na programação do CEN, que já produziu em parceria com o festival 41 curtas e totaliza 311 obras ao longo de 42 edições da oficina. Os filmes desenvolvidos durante a oficina serão exibidos em uma mostra especial no dia 26 de junho, às 15h, na Cinemateca Paulo Amorim.

Seminário Pensar a Imagem ocorre pela quinta edição no festival, com encontros no Goethe-Institut Porto Alegre

Além das mostras, o Cine Esquema Novo promove o seminário Pensar a Imagem, uma iniciativa realizada em diálogo com a proposta curatorial do festival promovendo uma série de encontros voltados à reflexão crítica sobre cinema, artes visuais, memória e curadoria contemporânea. As atividades ocorrem nos dias 29 e 30 de junho, no Goethe-Institut Porto Alegre, com entrada franca, e as inscrições estão disponíveis através do link até 28 de junho.

Com proposição de Gabriela Almeida e mediação de Lennon Macedo, o seminário apresenta o tema A curadoria como trabalho com o arquivo, propondo um debate sobre as imagens não como objetos encerrados em sua historicidade, mas como arquivos vivos, continuamente atravessados por disputas de memória, gestos de montagem, sobrevivências e reativações no presente.

No dia 29 de junho, às 10h, o seminário abre com a mesa Curadoria como trabalho de montagem e de memória, reunindo a historiadora e programadora Lorenna Rocha e o pesquisador Elisandro Rodrigues. Às 14h, Lennon Macedo e o curador Bernardo José de Souza discutem Curadoria e relações de poder. Encerrando o primeiro dia, às 17h, Kaya Rodrigues e Nica Maleoa participam da conversa O trabalho da curadoria nas lacunas dos arquivos.

No dia 30 de junho, às 10h, o encontro Relações entre curadoria e cinefilia reúne a jornalista e cineclubista Manu Couto e a cineasta e pesquisadora Daniela Strack para refletir sobre cinefilia, formação de repertório, mediação cultural e circulação das imagens.

As inscrições ocorrem através do link de forma gratuita, com tradução para Libras, e emissão de certificado ao final do evento.

O Cine Esquema Novo é apresentado pelo Ministério da Cultura, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre e Petrobras, com realização por meio da Lei Rouanet e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, patrocínio master da Petrobras e patrocínio do Itaú Unibanco. Mais informações, acesse: www.cineesquemanovo.org | www.facebook.com/cineesquemanovocen | @cine_esquema_novo 

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