3 Sinais espetáculo dirigido por Sergio Lulkin, terá novas apresentações dias 2 e 3 de outubro, às 20h, no Goethe Institut
Com Lucas Bourscheid e Philipe Philippsen no elenco, e produção de Anne Plein, a montagem promove o encontro entre espectadores surdos, sinalizantes e ouvintes
O espetáculo 3 Sinais estreou com grande sucesso em junho deste ano, preenchendo uma lacuna na sociedade. O espetáculo de Sergio Lulkin é integralmente encenado na língua de sinais, atendendo aos espectadores surdos, mas também acessível aos ouvintes, porque tem oralização em português. A montagem propõe uma experiência teatral inovadora, integrando acessibilidade e arte contemporânea, e combina tradução em Libras e oralização em português, promovendo o encontro entre espectadores surdos, sinalizantes e ouvintes. “Nossos ensaios, nos quais a língua de sinais é forma de comunicação e protagonista da criação teatral, são dinâmicos e desafiadores. Olho vivo, luz, ação!”, afirma o ator e diretor com larga experiência e reconhecimento na cena teatral gaúcha.
Entre os destaques do projeto estão os atores Philipe Philippsen e Lucas Bourscheid, artista surdo da peça. Lucas afirma que seu maior desafio foi linguístico, porque mistura Libras com português. “Isso me fez descobrir a riqueza das línguas de sinais e como elas dialogam com várias línguas, como português, alemão, francês etc. A atuação teatral foi uma experiência muito forte para mim”, reflete. O projeto foi contemplado pelo Edital Kultur 25, promovido pelo Goethe-Institut Porto Alegre em parceria com o ICBA-RS, e reforça o compromisso com a diversidade e o acesso à cultura. As próximas apresentações acontecem nos dias 2 e 3 de outubro, às 20h, no Goethe Institut.
O ponto de partida dessa parceria está no Café Sinalizante, projeto idealizado por Philipe e Lucas há quatro anos, que reúne pessoas surdas e ouvintes, com muita ou pouca experiência, dispostas a praticar Libras. A aproximação com a produtora Anne Plein aconteceu através do projeto Diz o Nome, iniciativa voltada à empregabilidade, profissionalização e impacto social para e com a comunidade LGBTQIAP+, da qual os três fizeram parte, tanto no espetáculo quanto no curta-metragem produzidos pela iniciativa. Da sintonia criada nessa experiência nasceu uma colaboração mais ampla: juntos, Philipe, Lucas e Anne produziram duas edições do Sarau Sinalizante, evento que ocorreu na Casa de Cultura Mario Quintana. A 3ª edição está prevista para este ano. Na 2ª edição do Sarau, Philipe e Lucas convidaram o diretor Sergio Lulkin para assinar a direção da esquete em Libras “Lembra de Mim?”, baseado na crônica “Grande Edgar” de Luis Fernando Verissimo, ampliando ainda mais o círculo criativo do grupo.
3 Sinais. Três textos onde há sempre um acontecimento e vários desencontros: você é abordado por um estranho que jura lhe conhecer; um cliente indeciso tenta encontrar o adereço de seu desejo em uma loja de chapéus e, por fim, uma acirrada disputa ética em torno de um simples lugar na plateia de um teatro. Onde há duas pessoas, há três opiniões: acertos e equívocos fazem parte dessas cenas curtas nas quais a Língua de Sinais é, também, protagonista. Esse é o enredo do espetáculo inclusivo e inovador na cena teatral de Porto Alegre, uma das primeiras iniciativas do RS a assumir a Libras como idioma original da cena, integrando a língua de sinais com Visual-Vernacular*.
*Visual-Vernacular (VV) é uma forma de arte performática da comunidade surda que combina elementos das línguas de sinais, mímica e teatro para criar narrativas visuais
Sobre a equipe:
Anne Plein é Mestre em Artes Cênicas e licenciada em Dança (UFRGS). Produtora e artista com experiência em mais de 50 projetos culturais, incluindo atuação em espaços como CHC Santa Casa, Aliança Francesa e Casa de Cultura Mario Quintana. Fundadora da iniciativa Diz o Nome, atuando na coordenação de equipe, logística e execução de projetos cênicos acessíveis.
Philipe Philippsen atua como ator, músico, professor e produtor, com experiência em projetos inclusivos e de acessibilidade cultural. Co-idealizador do Café Sinalizante e integrante da iniciativa Diz o Nome, promovendo ações acessíveis para público surdo e sinalizante. É Mestre em Artes Cênicas e bacharel em Teatro pela UFRGS. Tradutor e Intérprete de Libras pelo IEEL.
Lucas Bourscheid é instrutor de Libras pela Universidade La Salle (Canoas – RS). Graduado em Gestão de Recursos Humanos (Fundação Educacional Machado de Assis) e tradutor e intérprete de Libras pelo IEEL. Integrante do Grupo Signatores – Artes com Pessoas Surdas, participou do curta “Romeu e Julieta” (2022). Idealizador do Café Sinalizante e integrante da iniciativa Diz o Nome, com experiência em acessibilidade e mediação cultural para público surdo.
Sergio Lulkin é ator e Doutor em Educação (2007) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mantém atividades de formação e criação nas áreas de Educação e Teatro. Foi professor de teatro para estudantes Surdos entre 1989 e 2001. Integrou o grupo TEAR, sob direção de Maria Helena Lopes, de 1980 a 2002. Desde 2023 apresenta, com Mirna Spritzer, o espetáculo Terra Sem Mapa.
Ficha técnica:
Direção: Sérgio Lulkin
Assistência de direção: Anne Plein
Elenco: Lucas Bourscheid e Philipe Philippsen
Produção: Anne Plein
Intérpretes Libras-Português: Lucas Fialho e Tiago Coimbra
Iluminação: Vigo Cigolini
Sonorização: Viridiana
Redes sociais: Railin Gonçalves e Mallu Oliveira
Produção de conteúdo e registro em vídeo: Gera Prod
Assessoria de imprensa: Bebê Baumgarten
Classificação: 12
Duração: 40 min
Apoio: Casa de Cinema, Para Todos, Gera Prod, Gurias da Técnica, Diz o Nome, Café Sinalizante, Fundação Theatro São Pedro e Goethe-Institut Porto Alegre
Agradecimentos: Agência Literária Riff, Família Verissimo e Família Karam, pela liberação dos direitos autorais dos textos
Foto: Adriana Marchiori
3 SINAIS – com Philipe Philippsen e Lucas Bourscheid
Dias 2 e 3 de outubro, às 20h
Goethe Institut – Rua 24 de outubro, 112. Moinhos de Vento
Ingressos na plataforma Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/3-sinais/3569435