Se tem uma imagem que resume o gaúcho, é a da pessoa com a cuia numa mão e a garrafa térmica embaixo do braço. O chimarrão — ou só “mate”, como a gente costuma chamar por aqui — é muito mais que uma bebida quente: é ritual, é conversa e é jeito de estar junto. Quando tu chegar em Porto Alegre num fim de semana e passar pela Redenção ou pela orla, vai ver rodas de amigos passando a mesma cuia de mão em mão. Pode estranhar no começo, mas é assim mesmo — e é lindo.
Pra quem nunca viu de perto, vamos ao básico. O chimarrão é feito com erva-mate moída bem fininha, colocada numa cuia (o recipiente, tradicionalmente feito de porongo) e tomada com uma bomba, aquele canudo de metal com um filtro na ponta. Por cima, água quente — mas nunca fervendo, senão “queima” a erva e amarga tudo. Quem prepara é o “cevador”: ele enche a cuia, toma o primeiro mate (que costuma ser o mais amargo) e vai passando adiante, sempre na mesma ordem da roda. Um detalhe que todo forasteiro precisa saber: mexer na bomba é falta grave. A bomba fica quietinha onde está.
E tem toda uma etiqueta simpática. Quando tu terminar a cuia, é só devolver pro cevador — dizer “obrigado” é o jeito educado de avisar que não quer mais. Recusar o primeiro mate por timidez? Pode, mas tu vai estar perdendo a melhor parte, que é justamente o papo que se forma em volta da roda. Em terra gaúcha, oferecer mate é oferecer companhia.
Onde viver isso em POA? Nos fins de semana, o Parque Farroupilha (a famosa Redenção) e o Parcão viram um mar de térmicas e cuias, principalmente de tarde. A orla do Guaíba, com o pôr do sol mais lindo do Brasil de pano de fundo, é outro clássico pra sentar na grama e “tomar uns mates”. E, se tu quiser levar a tradição pra casa, o Mercado Público é o lugar certo pra comprar erva de boa procedência, cuias e bombas — dá pra conferir o que rola por lá na nossa matéria sobre o Mercado.
No frio ou no calor (sim, tem gaúcho que toma mate no verão), o chimarrão é aquele abraço quente que aproxima as pessoas. Não precisa de pressa nem de motivo: senta, esquenta a água na medida certa e deixa a roda seguir. É a forma mais gostosa — e mais barata — de entender um pouquinho da alma da gente.
SERVIÇO:
O quê: chimarrão (mate) — tradição e ritual da erva-mate no Rio Grande do Sul.
Onde viver em POA: Parque Farroupilha (Redenção), Parcão e orla do Guaíba nos fins de semana; para comprar erva, cuia e bomba, o Mercado Público de Porto Alegre.
Quanto: programa gratuito (basta erva, cuia, bomba e uma térmica com água quente).