Espetáculo dispositivo-gaivota [estilhaços], do premiado Coletivo Errática, ganha duas sessões gratuitas em Porto Alegre
A montagem inspirada na obra de Tchekhov terá apresentações nesta sexta e sábado, dias 14 e 15 de agosto, no Teatro Glênio Peres. Os ingressos já pode ser retirados sem custo no Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre
O espetáculo dispositivo-gaivota [estilhaços], do premiado Coletivo Errática, terá apresentações gratuitas nesta sexta e sábado, dias 14 e 15 de agosto, às 19h, no Teatro Glênio Peres. Os ingressos já podem ser retirados sem custo, das 9h às 17h, no Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre (Av. Loureiro da Silva, 255).
Inspirada na obra A Gaivota, do escritor e dramaturgo russo Anton Tchekhov, a montagem é resultado de uma pesquisa iniciada pelo coletivo em 2014. Ao longo de mais de uma década, a investigação deu origem a performances, experimentações cênicas, um espetáculo estreado em 2019, uma experiência digital criada durante a pandemia e, agora, a uma nova obra construída a partir dos vestígios desse percurso artístico, com direção e dramaturgia de Francisco Gick.
Em cena, Jezebel De Carli, Guega Peixoto, Gustavo Dienstmann, Mani Torres e Nina Picoli apresentam quatro conjuntos cênicos dedicados aos temas do teatro, do amor, da partida e da morte. O trabalho reúne fragmentos de diferentes momentos da pesquisa do grupo, reorganizados como uma arqueologia da própria criação, entre imagens, cenas, textos e memórias.
“O espetáculo nasce da tentativa de escavar essa trajetória e entender o que ficou em nós depois de tanto tempo trabalhando sobre esse material. Reunimos esses estilhaços e os reorganizamos em uma nova obra, que não busca explicar sua origem, mas criar novos sentidos a partir dela”, explica Gick.
Esse processo de reconstrução também incorpora experiências recentes vividas pelo coletivo. A pandemia provocou uma reinvenção da pesquisa por meio da performance digital HIPERGAIVOTA, enquanto a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul passou a atravessar diretamente o espetáculo, especialmente no conjunto dedicado ao tema da partida, refletindo sobre deslocamentos, permanências e a dificuldade de recomeçar.
“O espetáculo fala da necessidade de continuar fazendo teatro, mesmo diante das crises. Há uma frase de A Gaivota que nos acompanha: ‘o importante não é a fama nem a glória, mas carregar a sua cruz e continuar’. Ela sintetiza muito do que significa insistir em fazer arte hoje e o nosso processo de trabalho”, destaca Gick.
Sobre o Coletivo Errática
O Errática é um coletivo de teatro e performance surgido no Curso de Graduação em Teatro da UERGS, em Montenegro. Desde 2012, desenvolve uma pesquisa continuada de linguagem, focada em processos colaborativos de criação, pesquisa e criação de dramaturgias autorais e transcriações de textos dramatúrgicos e literários. O coletivo se organiza num plano de convergência temática, estética e política entre seus membros, buscando criar ações deflagradoras de situações especiais de convívio e pensamento sobre o mundo. Cada pessoa do coletivo é de um lugar do Rio Grande do Sul – Bento Gonçalves, Porto Alegre, Capão da Canoa, Farroupilha, Novo Hamburgo, Dois Irmãos e Caxias do Sul.
O grupo já recebeu diversos prêmios, como o Açorianos de Teatro, o Braskem Em Cena, o Prêmio ATEB/Cenym de Teatro Nacional e o Olhares da Cena. Entre seus trabalhos estão o espetáculo Ramal 340: sobre a migração das sardinhas ou porque as pessoas simplesmente vão embora, o projeto para crianças PLUGUE: um desvio imaginativo, a mostra FLUXOS: 6 anos de ação do Coletivo Errática, as leituras dramáticas on-line Maldito coração (me alegra que tu sofras) e Dá licença, por favor?, a videoperformance #UMACARTAPARAPOA e a experiência digital compartilhada HIPERGAIVOTA. Atualmente, o coletivo desenvolve o projeto Yoko Tawada: traduções performáveis, um ciclo de leituras dramáticas dos textos teatrais inéditos no Brasil da autora japonesa radicada na Alemanha Yoko Tawada, em parceria com o tradutor Eduardo Spieler, o Goethe-Institut, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Crédito da foto: Adriana Marchiori
Serviço
Espetáculo dispositivo-gaivota [estilhaços], do Coletivo Errática
Dias 14 e 15 de agosto, sexta e sábado, às 19h
Teatro Glênio Peres (Av. Loureiro da Silva, 255 – Centro Histórico, Porto Alegre/RS)
Ingressos gratuitos, mediante retirada até sexta-feira, das 9h às 17h, no Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre (Av. Loureiro da Silva, 255 – Centro Histórico, Porto Alegre/RS)
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 16 anos