João Schmidt reflete sobre homofobia e suas consequências em espetáculo solo no Teatro Carlos Carvalho
Escrito e dirigido por Helena Prates e produzido pelo Grupo Tholl, JOÃO traça uma analogia entre o passado e o presente ao resgatar a história de ‘João Sinhá’, brutalmente assassinado em Pelotas, em 1897. As apresentações ocorrem entre 27 e 30 de agosto
Na noite de 15 de janeiro de 1897, João Pedro dos Reis, conhecido como ‘João Sinhá’, foi brutalmente assassinado em sua própria casa, o luxuoso Palácio Encantado das Sete Conchas, na área central de Pelotas. O homem de cor parda, idade aparente de 40 anos, estatura mediana, cabelos crespos e barba cerrada foi encontrado caído próximo a sua cama com mais de 50 punhaladas.
Os cortes nos braços indicavam que a vítima resistiu e tentou lutar pela vida. Apesar de todas as evidências, os suspeitos foram liberados e o crime ficou marcado pelo silêncio e alívio da sociedade local, que via ‘Sinhá’ como uma “monstruosidade moral”.
Figura proeminente e cercada de polêmicas na sociedade de Pelotas no século 19, João Pedro dos Reis levou uma vida luxuosa, provavelmente herdada pelos pais. Era culto, boêmio e nunca escondeu a homossexualidade.
Em seu testamento, o último pedido parecia prever um fim trágico para a liberdade que tanto lutou para conquistar: “Quando eu morrer, queimem todos os meus papéis”.
Um século depois, a luta segue presente e encontra o passado no palco para denunciar a homofobia histórica e a opressão moral, dando voz a relatos silenciados ao longo do tempo. JOÃO foi escrito e dirigido por Helena Prates em homenagem aos 40 anos de carreira de Schmidt e, ao mesmo tempo, para trazer à tona as contradições de uma sociedade marcada por uma moral opressora e excludente.
“Mais do que revisitar o passado, a peça questiona o presente: até onde avançamos e o que ainda se repete? Quais violências seguem existindo agora, de outras formas, no cotidiano da comunidade LGBTQIA+?”, diz Schmidt.
As apresentações ocorrem de 27 a 30 de agosto (quinta a domingo), às 19h, no Teatro Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mario Quintana. Os ingressos custam entre R$25 (meia) e R$50 (inteira), e podem ser adquiridos antecipadamente pelo site da TicketSul.
O espetáculo tem ainda a direção ao lado de Sandra Viegas, iluminação e produção técnica de Cris Oliver e produção do Grupo Tholl.
Foto: Divulgação
Sobre João Schmidt
Natural de Pelotas, João Schmidt, iniciou o seu trabalho com teatro em 1986, no Teatro Escola de Pelotas, sob a direção de Valter Sobreiro Junior. Foi amplamente premiado como ator nos espetáculos Em Nome De Francisco, Maragato: Uma Ópera Gaúcha e Raios, Relâmpagos e Trovões.
Em 1993 foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como produtor em números eventos e turnês no país e no exterior de nomes como Vitor Ramil, Kleiton & Kledir, Arlindo Cruz, Alcione, Leci Brandão, Leila Pinheiro, Francis Hime, Chico Buarque, Dudu Nobre, Emilio Santiago, Zélia Duncan e Grupo Tholl. Em 2021, retomou sua ligação com o teatro no espetáculo PAI DE DEUS.
JOÃO representa não apenas uma homenagem a um personagem histórico, mas também um marco pessoal, reunindo a maturidade artística e a entrega intensa adquiridas ao longo de quatro décadas de palco.
SERVIÇO
Espetáculo solo JOÃO, com João Schmidt
Quando: 27 a 30 de agosto | Quinta a domingo | 19h
Onde: Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico)
Ingressos: R$25 (meia-entrada) e R$50 (inteira)
ingressos antecipados: https://www.ticketsul.com.br/w-tic/sports/i/#