Mel Souza e Marietti Fialho compartilham o palco em encontro inédito entre duas gerações da música gaúcha
Com repertório que vai do samba ao blues, apresentação em piano e voz ocorre nesta sexta-feira, 21 de agosto, no Teatro Oficina Olga Reverbel
A pianista Mel Souza e a cantora Marietti Fialho sobem juntas ao palco, pela primeira vez, para um show intimista nesta sexta-feira, 21 de agosto, às 19h, no Teatro Oficina Olga Reverbel. O encontro faz parte da programação do Horacina Corrêa convida – Uma voz abre caminho para outras vozes, que reúne diferentes gerações de artistas negras do Rio Grande do Sul.
A apresentação inédita aproxima as trajetórias das duas musicistas, costurando composições autorais de Mel e de Marietti a canções que marcaram a trajetória de Horacina Corrêa, personalidade que brilhou na Era de Ouro do Rádio, mas que hoje permanece pouco conhecida pelo grande público. O repertório percorrerá gêneros como samba, blues e outras vertentes da música brasileira, propondo um diálogo entre duas artistas que compartilham a versatilidade e o interesse por diferentes linguagens musicais.
“Apesar de nunca termos dividido o palco, acompanho a trajetória da Marietti há muito tempo. Quando surgiu o convite para escolher quem faria esse encontro comigo, pensei nela imediatamente. Ela sempre foi uma grande referência para mim e uma artista que admiro muito. Será uma troca muito bonita, porque nós duas gostamos de experimentar diferentes caminhos dentro da música”, afirma a pianista.
Mel Souza vem construindo uma carreira sólida, que teve início com a formação na igreja e em projetos sociais como a Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul. A artista também atuou em bandas musicais, no circo tradicional e transita por repertórios que vão do rap à música de concerto. Já Marietti Fialho soma mais de três décadas de experiência artística, tendo sido a primeira mulher à frente de uma banda de reggae no Brasil. Hoje, seu trabalho autoral ultrapassa fronteiras e conta com diversos prêmios e participações em projetos nacionais e internacionais.
“Acho que nós duas ocupamos lugares muito diversos dentro da cena musical. Sempre buscamos nos arriscar, experimentar e sair da zona de conforto, transitando entre diferentes estilos e linguagens. Nossos trabalhos combinam muito e esse show vai ter um resultado muito especial”, destaca Mel.
Idealizado pelo diretor de Cultura Afro-Brasileira, Inclusão e Territorialidades da Fundação Theatro São Pedro, Álvaro RosaCosta, o projeto foi inspirado na trajetória pioneira da artista porto-alegrense Horacina Corrêa. “Horacina Corrêa era a nossa Carmen Miranda dos Pampas, uma celebridade que foi esquecida com o tempo. E esse projeto nasce justamente para dar luz a todas as artistas negras que merecem estar nesse lugar de destaque”, explica RosaCosta.
Crédito da foto: Flávia Moreira
Diferentes encontros marcam a programação neste ano
O projeto conta com cinco edições. A estreia foi no mês de julho, com Andréa Cavalheiro dividindo a cena com Dani Xavier. Também estão previstos outros três encontros: no dia 25 de setembro, Luciara Batista recebe Guaíra Soares. Depois, em 2 de outubro, Cristal convida Pâmela Amaro. Já no dia 30, Loma Solaris dará espaço à cantora Stephanie Soeiro e à violonista Vitória Pereira.
Os ingressos têm preços populares, entre R$ 20 e R$ 40. As entradas para todas as edições estão à venda no site www.theatrosaopedro.rs.gov.br e na bilheteria do Multipalco Eva Sopher.
Quem foi Horacina Corrêa
Horacina Corrêa ocupa um lugar importante na história da música popular brasileira e da cultura gaúcha. Nascida em Porto Alegre, em 11 de outubro de 1913, na então Colônia Africana (atual região do bairro Bom Fim), iniciou sua trajetória artística muito jovem e tornou-se uma das primeiras grandes estrelas da música popular do Rio Grande do Sul.
Dona de voz aguda, afinada e dicção impecável, destacou-se desde o início dos anos 1930 como solista do tradicional Bloco dos Turunas. Sua presença nos palcos e nas festas populares lhe rendeu o título de Rainha da Folia de 1931. Conhecida como “Patativa do Sul” e “Voz Morena da Cidade”, foi uma das protagonistas da expansão do rádio no Rio Grande do Sul. Em um período em que os elencos artísticos eram predominantemente masculinos e brancos, destacou-se como uma das poucas artistas negras a conquistar espaço nas rádios Difusora, Gaúcha e Farroupilha.
Em 1938, protagonizou um marco histórico ao gravar, em Buenos Aires, o samba gaúcho Alto da Bronze, de Paulo Coelho e Plauto de Azambuja Soares (Foquinha), tornando-se a primeira cantora gaúcha a realizar uma gravação fonográfica nos padrões industriais da época. Ao longo das décadas de 1940 e 1950, realizou excursões pela Argentina e outros países, gravando discos no Brasil, Argentina, Itália e Suécia. Sua discografia reúne sambas, marchinhas, valsas, tangos e canções populares brasileiras, registradas por diversas gravadoras.
Enfrentou perdas, recomeços e desafios que poderiam ter encerrado qualquer carreira, mas Horacina seguiu cantando. Depois de uma gravação realizada na Escandinávia, em 1962, os registros sobre sua vida praticamente desapareceram. Seu paradeiro e a data de sua morte permanecem desconhecidos, transformando uma das artistas mais importantes de sua geração em um dos grandes mistérios da música brasileira.
Atualmente, pesquisadores como Marcello Campos e Irene Santos vêm resgatando sua memória, reafirmando seu papel fundamental na consolidação da música gaúcha e na projeção da cultura brasileira no exterior.
Serviço
Horacina Corrêa convida – Uma voz abre caminho para outras vozes
Mel Souza convida Marietti Fialho
Dia 21 de agosto, sexta-feira, às 19h
Teatro Oficina Olga Reverbel, no Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1089 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS)
Ingressos
R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 40,00 (inteira)
Pontos de venda
Online: https://www.theatrosaopedro.rs.gov.br/horacina-correa-convida-mel-souza-convida-marietti-fialho
Bilheteria do Multipalco Eva Sopher: de terça a domingo, das 16h às 18h (nos dias de espetáculo, o funcionamento é estendido até às 20h)
Acessibilidade: Para pessoas neurodivergentes, a Fundação Theatro São Pedro disponibiliza kits de acolhimento sensorial, que podem ser solicitados na bilheteria do Multipalco Eva Sopher.
Próximas edições
Sempre às sextas-feiras, às 19h, no Teatro Oficina Olga Reverbel
Dia 25 de setembro: Luciara Batista convida Guaíra Soares
Dia 2 de outubro: Cristal convida Pâmela Amaro
Dia 30 de outubro: Loma Solaris convida Stephanie Soeiro e a violonista Vitória Pereira
