A performance Manifesto de Uma Mulher de Teatro celebra os 42 anos da Terreira da Tribo, dia 14 de julho, em seu espaço cultural
Criada em 1984, a Terreira da Tribo celebra no dia 14 de julho os seus 42 anos como centro cultural, com a apresentação de Manifesto de Uma Mulher de Teatro, espetáculo que vem fazendo uma trajetória ascendente em apresentações por todo o Brasil. Com entrada franca, esta apresentação integra o projeto Mãos de Mães – Vivências artesanais para o resgate da cultura e da sabedoria popular brasileira, em uma parceria entre a Terreira da Tribo e o grupo de teatro Cuidado Que Mancha, através da Emenda parlamentar da Vereadora Biga Pereira. Nesta celebração, o público presente receberá o livro Zé da Terreira ou O Evangelho da Arte Segundo o Trovador Saltimbanco, de Johann Alex de Souza.
A Terreira da Tribo é um dos centros de experimentação cênica e cultural mais importantes do teatro de grupo brasileiro. Funcionando como sede do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, ela é um espaço autônomo de criação, formação, pesquisa e vivência comunitária, e sua relevância reside em três pilares: resistência cultural e política; renovação da linguagem cênica; e formação crítica e comunitária. Nascida no contexto da ditadura militar, consolidou-se como um território de contestação e contracultura, usando a arte como ferramenta de conscientização social e política. É pioneira no teatro de rua e no teatro de vivência, rompendo a barreira entre ator e espectador e democratizando o acesso à arte ao levar espetáculos gratuitos a espaços públicos e periferias. E, para além disso, contribui para a formação crítica e comunitária pois, mais que formar atores, a Terreira atua na formação de cidadãos por meio de oficinas gratuitas, debates e fomento à memória cultural, integrando profundamente a criação artística à realidade social da comunidade. Em suma, a Terreira da Tribo é um marco vivo que prova que o teatro pode ser, simultaneamente, esteticamente radical e socialmente transformador.
Na performance Manifesto de Uma Mulher de Teatro, Tânia Farias dança a relação com sua amiga, interagindo com sua imagem projetada em vídeo na parede para manter viva a memória da mulher vitimada por um crime de ódio contra o seu corpo. Em cena, questiona com a voz e o canto uma sociedade edificada na misoginia. A performance traz ao centro da arena a vociferação contra a engrenagem de violências às quais mulheres são continuamente submetidas. Vozes como a de Violeta Parra, Gioconda Belli e da própria atriz, que ousa contar detalhadamente sua história pessoal de violência sofrida e intercruzar com outra real, a de Magó, bailarina barbaramente violentada e assassinada em 2020, ao qual a atriz presta homenagem. Um ato político contra a violência de gênero, uma nova etapa de construção da reflexão dessa mulher de teatro num momento tão trágico, de autorização de todo tipo de barbárie contra mulheres, negros, LGBTQIA+ e tudo o que o conservadorismo dessa elite atrasada considera uma ameaça ao seu projeto de morte, de não corpo e de não felicidade.
Manifesto Foto:Vivian Gradela
Manifesto de Uma Mulher de Teatro – aniversário de 42 anos da Terreira da Tribo
Dia 14 de julho, às 20h
Terreira da Tribo, Av. Pátria, 98 – Bairro São Geraldo
Entrada franca
Redes da Tribo:
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