Assistido por mais de 200 mil pessoas no Brasil e no exterior, o espetáculo O Céu da Língua com texto e interpretação de Gregorio Duvivier retorna para mais uma temporada em Porto Alegre, nos dias 3, 4 e 5 de setembro (quinta e sexta às 19h e sábado às 16h30), no Salão de Atos da PUCRS – Prédio 4 (Av. Ipiranga, 6681 – Partenon, Porto Alegre/RS).
Dirigido por Luciana Paes, o espetáculo é uma comédia sobre a presença quase invisível da poesia no nosso cotidiano.
Quem tem medo de poesia? Gregorio Duvivier não faz parte deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto – até mesmo criar um espetáculo sobre o assunto. No monólogo O Céu da Língua, uma comédia poética, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido.
“Uma ode à língua portuguesa e ao poder da palavra”, disse a crítica Suzana Verde, no jornal O Observador. “É comédia da boa, apesar de por vezes ser difícil rir, estando tão assoberbados com tudo o que acontece em palco”.
A peça estreou em Lisboa no contexto das comemorações do aniversário de 500 anos de Luís de Camões e roubou a cena por lá. Gregorio Duvivier, que não estreava uma peça nova há cinco anos, fez essa peça para homenagear sua língua-mãe. Encontrou, ao fazer a peça, uma legião de pessoas que compartilham dessa paixão. “Gregorio Duvivier é um artista completo, no sentido mais renascentista do termo”, disse Miguel Esteves Cardoso, o maior cronista de Portugal, no jornal O Público. Depois da estreia, o espetáculo fez temporada no Rio de Janeiro, São Paulo (capital e interior), Porto Alegre e Curitiba alcançando um público de mais de 70 mil pessoas.
“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, pra isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.
A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregorio no espetáculo de improvisação Portátil – e, também, nos vídeos do canal Porta dos Fundos. Se no seu solo anterior, Sísifo (2019), escrito junto com Vinicius Calderoni, Gregorio subia uma grande rampa dezenas de vezes, agora, o que se tem é uma encenação desprovida de qualquer cenário.
No palco totalmente limpo, o instrumentista Pedro Aune cria uma ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua devoção às palavras. “Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de diretora teatral.
O Céu da Língua não é um recital. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia de Gregorio não deixa de ser poética. “O stand-up comedy aqui é uma pegadinha pra falar de literatura”, como ela bem define. “A peça fica na esquina do poema com a piada”, arremata o ator.
“O Gregorio comediante está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e por isso a plateia embarca na proposta”, explica a diretora, que compartilha com o ator a paixão pelo nome das coisas. “Graças aos seus recursos de ator, Gregorio pega o público distraído. Ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado.”
Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa. Assim o protagonista brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados.
As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de “afta”, “íngua”, “seborreia”, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “disruptivo” ou “briefings”? Até destas Gregorio extrai humor.
Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano – “batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a poesia e nem percebemos. Para provar que a poesia é popular, Gregorio chama atenção para os grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e Caetano Veloso, citados em O Céu da Língua através das canções Chão de Estrelas (1937) e Livros (1997). “A massa ainda há de comer o biscoito fino que fabrico”, disse Oswald de Andrade. Infelizmente a literatura no Brasil nunca encheu estádios. Mas a palavra cantada, essa sim, ganhou multidões. “Foi a nossa música popular quem conseguiu realizar o sonho oswaldiano de levar poesia para as massas”, festeja o ator.
Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e que a nossa língua não deve nada a nenhuma outra. Muito pelo contrário. Temos um manancial de poesia desperdiçada em cada conversa jogada fora. “Minha pátria é a língua portuguesa”, diz Fernando Pessoa. Caetano continua: “e eu não tenho pátria, eu tenho mátria e quero frátria”. Gregorio constrói o espetáculo em torno dessa fraternidade, e nos lembra que, apesar de todas as nossas diferenças, temos uma língua em comum que nos irmana. E também pode nos fazer gargalhar.
Ficha Técnica – O Céu da Língua
Texto: Gregorio Duvivier e Luciana Paes
Interpretação: Gregorio Duvivier
Direção: Luciana Paes
Direção musical e execução da trilha: Pedro Aune
Assistência de direção e projeções: Theodora Duvivier
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Cenografia: Dina Salem Levy
Assistente de Cenografia: Alice Cruz
Figurinos: Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente
Visagismo: Vanessa Andrea
Diretor técnico: Lelê Siqueira
Técnico de Som: Dugg Mont
Diretor de palco: Reynaldo Thomaz
Assistente de palco: Daniela Mattos
Fotos: Demian Jacob, Joana Calejo Pires, Priscila Prade e Raquel Pellicano
Design gráfico publicação: Estúdio M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David
Identidade visual divulgação: Laercio Lopo
Comunicação: Lucas Sancho
Marketing digital: Renato Passos
Gerente de projetos: Andréia Porto
Assistente de produção: João Byington de Faria
Produção executiva: Lucas Lentini
Direção de Produção: Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha
Produção: Padrok Produções Culturais
Realização: PUCRS Cultura
Serviço
- Evento: O Céu da Língua
- Data: 3, 4 e 5 de setembro de 2026 (quinta, sexta e sábado)
- Horário: quinta e sexta às 19h e sábado às 16h30
- Ingressos: Disponível pela Sympla neste link
- Local: Salão de Atos da PUCRS (Av. Ipiranga, 6681, Prédio 4, Partenon, Porto Alegre).
- Ponto de venda de ingressos sem taxa de conveniência: Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS – Av. Ipiranga, 6681 – Prédio 40 (de terça a sexta, das 9h às 17h, sábado e domingo, das 10h às 18h). Nos dias de apresentação do espetáculo, a bilheteria do Salão de Atos da PUCRS abre 2h antes do início da sessão.
- Classificação Indicativa: 12 anos
- Duração: 80 minutos
- Acessibilidade arquitetônica: Espaço com acessibilidade para pessoas com deficiência física e/ou mobilidade reduzida.
- Dicas de Acesso e Estacionamento: Aplicativos/Táxi – desembarque na Av. Ipiranga, em frente ao Portão 03, entrada mais próxima do Salão de Atos da PUCRS. Estacionamento – acesso pela Rua Prof. Christiano Fischer, pelo Portão 04 (estacionamento pago mais próximo do local).