Últimos dias para visitar a exposição de Mauro Espíndola que investiga arte, ciência e natureza no Centro Cultural da UFRGS
PANAPANÃ – Papilionis Transectum, projeto selecionado pelo Edital do Centro Cultural da UFRGS e contemplado pelo Concurso de Produção Artística do FUMPROARTE – Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre incorpora percepções inspiradas nos gabinetes de curiosidades dos séculos XVI a XVIII
Depois de mais de dois meses de programação intensa, a exposição PANAPANÃ – Papilionis Transectum, do artista visual Mauro Espíndola, com curadoria da artista e professora Marilice Corona, chega aos seus últimos dias, com atividades na terça, 16 de junho, com lançamento do catálogo e performance. A mostra transforma o Centro Cultural da UFRGS em um território de cruzamentos entre arte, ciência e natureza. Reunindo gravuras experimentais, livros de artista, objetos e trabalhos in situ, a exposição funciona como um dispositivo de investigação poética sobre o tempo, a memória e a transitoriedade.
Envolvendo pesquisas do artista no Moinho da Capivara, seu estúdio localizado na zona rural de Lindolfo Collor (RS), o projeto apresenta obras construídas com materiais coletados no lugar, como vegetais em deterioração, galhos queimados, troncos necrosados e borboletas encontradas sem vida, reorganizados em composições que evocam sistemas de catalogação científica, ao mesmo tempo em que propõem reflexões sobre a impermanência.
A exposição respira e posiciona-se na atmosfera dos gabinetes de curiosidades, espaços que surgiram entre os séculos XVI e XVIII para reunir artefatos naturais, científicos e culturais como tentativa de apreender e ordenar o mundo. Em PANAPANÃ, essa tradição é revisitada sob uma perspectiva contemporânea, onde classificações e nomenclaturas tornam-se ferramentas poéticas. A pesquisa se desdobra ainda por meio dos heterônimos do artista, Emanoel Leichter e Francysca Omolara, que ampliam a dimensão ficcional e conceitual do projeto, embaralhando os papéis de autor, pesquisador e pseudocientistas imaginários.
O encerramento do projeto ocorre em 16 de junho, a partir das 18h, com performance da bailarina contemporânea daggi dornelles com imagens de Frank Jeske em diálogo com a reapresentação da composição PANAPANÃ, do maestro Borges-Cunha, estabelecendo um diálogo entre artes visuais, música e dança em um desfecho emblemático. Na mesma ocasião será lançado o catálogo da mostra, com 50 exemplares de distribuição gratuita.
PANAPANÃ – Papilionis Transectum
Centro Cultural da UFRGS – Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Campus Centro, Porto Alegre – RS.
16 de junho de 2016
* 18h Encerramento: Entrelaçamento performático com daggi dornelles e imagens de Frank Jeske
* 19h Lançamento do catálogo PANAPANÃ – Papilionis Transectum
BIOS
Mauro Espíndola (Rio de Janeiro, 1962)
Artista e autor do projeto
Artista visual, Doutorando em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS. Contemplado com o XVI Prêmio Açorianos na categoria Destaque Artista e Prêmio de Residência Artística no Ateliê̂ de Gravura da Fundação Iberê Camargo, o artista elabora pesquisas no campo simulado da ciência, com interesse por questões relativas à heteronímia, memória, identidade, natureza e ambivalências entre real e imaginário. Atualmente vive e trabalha no estúdio instalado no Moinho da Capivara, habitação rural ao norte de Porto Alegre/RS, lugar de heteronímias, fabulações e catalogações pseudocientíficas, onde são concebidos projetos ligados à tríade arte-ciência-natureza.
Marilice Corona (Porto Alegre, 1964)
Curadoria
Artista visual, curadora, pesquisadora, Doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS, realizando estágio doutoral em l’Université Paris I – Panthéon Sorbonne – Paris-França (2009). É professora de Pintura do Departamento de Artes Visuais/IA e professora permanente do PPGAV/UFRGS. Desde 2016 coordena o Projeto Studio P Atelier Aberto de Pintura: Pesquisa e Extensão, Prêmio Açorianos de Artes Plásticas 2025 – Destaque Exposição Coletiva, pela mostra “Laboratório Central: pintura e memórias da cidade”, exibida no Paço Municipal. Em 2018 foi agraciada com o XI Prêmio Açorianos de Artes Plásticas – Destaque em Exposição Individual, com a mostra “Entre o Acervo e o Studio” no MARGS. Já em 2008, obteve o Prêmio Açorianos – Destaque em Pintura. Marilice Corona desenvolve, também, o Projeto de Pesquisa “A representação na pintura contemporânea: procedimentos metapicturais e outras estratégias”, estabelecendo diálogo com outras linguagens de modo a refletir sobre a natureza e as funções da imagem nos dias atuais. Como artista, dedica-se à pintura, ao desenho e à fotografia. Desde os anos 90 participa de exposições de âmbito nacional e internacional.
(@marilicecorona) • https://www.instagram.com/marilicecorona/
Camila Leichter (Porto Alegre, 1976)
Assistente de Produção
Artista visual, pesquisadora, Doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS com a pesquisa campo-contra-campo da experiência, que acontece pelo pensar e fazer-com o corpo e o lugar, entrelaçando proposições audiovisuais, performativas e gráficas a processos permeados pela relação entre terra e memória, envolvendo práticas artísticas, rurais, comunitárias e ambientais, de interdependência e de um espaço de cuidado e coexistência.
Moinho Edições
Projeto de identidade visual
Projeto editorial dos artistas visuais e pesquisadores Camila Leichter e Mauro Espíndola, iniciado em 2016 no Moinho da Capivara, envolvendo propostas editoriais como produção de livros, cartazes e postais. Os trabalhos gráficos são realizados a partir de experiências mnemônicas e fenomenológicas com sintonia entre arte, natureza e em coexistência com um conjunto arquitetônico formado pelo moinho d’água de arquitetura enxaimel em ruínas, supostamente construído por volta de 1855, contíguo a uma casa de alvenaria, onde os artistas instalaram seu estúdio. Há dez anos vem participando de feiras gráficas de editores independentes no âmbito nacional e sul-americano.
@moinhoedicoeslimitadas – https://www.instagram.com/moinhoedicoeslimitadas/
Antonio Carlos Borges-Cunha (Bom Jesus, 1952 – Vive e trabalha em Porto Alegre) Performance Musical – abertura da mostra
Renomado compositor e maestro brasileiro, atualmente é professor no Departamento de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e um dos idealizadores do programa de Mestrado e Doutorado em Composição Musical. Sua obra tem sido apresentada em diversos países das Américas e da Europa, além de ter sido tema de várias pesquisas acadêmicas. Ao longo de sua carreira, recebeu prêmios por suas composições, bem como por sua atuação como regente de orquestra e pesquisador. Borges-Cunha obteve o título de Mestre em Música com Honras Acadêmicas e Distinção em Performance pelo New England Conservatory, em Boston, EUA, e é Doutor em Música pela Universidade da Califórnia, San Diego.
https://www.instagram.com/antonioborgescunha
Vagner Cunha (Porto Alegre, 1973)
Performance Musical – abertura da mostra
Músico brasileiro com formação erudita, que se dedica a diversos estilos musicais contemporâneos. Ao longo de sua carreira compôs e criou arranjos para várias orquestras brasileiras, além de produzir músicas para cinema e projetos audiovisuais. Seu processo criativo foi destaque no documentário “Arte, Ordem e Caos” (2008), dirigido por Pedro Zimmermann. Seu primeiro álbum solo, intitulado “Mahavidyas”, foi lançado em 2010, e seu segundo trabalho, intitulado “Além”, foi produzido em 2012 no formato CD-Livro, com participações especiais de artistas como Fábio Zimbres, Cuca Medina, Vitor Ramil, Dudu Sperb e Antonio Carlos Borges-Cunha.
https://www.instagram.com/vagnercunha
daggi dornelles (São Jerônimo, 1956 – Vive e trabalha entre São Leopoldo e Porto Alegre)
Performance dança contemporânea – encerramento da mostra
Bailarina contemporânea, artista do teatro e performance, atuando desde os anos 70. Sua trajetória começou na região da Grande Porto Alegre, onde estudou Educação Física e Artes Cênicas na UFRGS. Nos anos 80, morou em São Paulo, passou pelo Ballet Stagium e pelo Teatro Brasileiro de Dança, iniciando parceria com Sônia Mota que a levou a se mudar para a Alemanha em 1989. Lá, viveu até 2003, envolvida com sua carreira solo e atuando como professora, bailarina, coreógrafa e assistente de direção em diversos países europeus. Após retornar ao Brasil, dedicou-se às performances urbanas, realizando projetos que circularam pelo Brasil e Alemanha até 2022. Entre suas atividades, também foi professora na UFRGS, coordenou a Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul e recebeu o Prêmio Trajetórias Culturais Mestra Sirley Amaro em 2021. Atualmente, trabalha na finalização de um livro que reúne seus encontros com objetos e cidades, além de registros de imagem, projeto que recebeu reconhecimento em 2009.
https://www.instagram.com/daggidornelles
FICHA TÉCNICA
Curadoria – Marilice Corona
Organização e realização – Edital Centro Cultural da UFRGS
Patrocínio – Fumproarte – Prefeitura de Porto Alegre
Produção executiva – Adauany Zimovski
Assistente de produção – Camila Leichter
Design Gráfico – Moinho Edições Limitadas
Consultoria em produção gráfica – Maíra Velho
Montagem – Rafael Muniz
Assessoria de Imprensa – Bruna Paulin
Assessoria Contábil – MVG Consultoria Contábil